quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Cotas da Discórdia

Acredito que a imposição de cotas não resolve a situação que temos hoje no Brasil, apenas torna uma atitude que deveria ser comum em algo imposto por lei. A maioria das pessoas pode achar que o fato de não ser a favor do uso das cotas é um ato discriminativo ou oriundo de uma pessoa que nunca sofreu nenhum tipo de preconceito, mas não é.
Eu, como branco que sou, já sofri muitos preconceitos e ainda hoje sinto o efeito de alguns deles, seja no ambiente de trabalho ou social. É claro que o negro sofre discriminação, mas não é só deles que falo e incluo no meu pensamento todos aqueles que sofrem algum tipo de segregação que venha causar preconceitos ou diferenças de direitos e valores. Convivo com muitas pessoas e nunca tive discriminação por ninguém, embora já tenha recebido algumas perguntas imbecis, de alguns amigos, sobre a minha forma de escolher as pessoas que convivo, como se no meu círculo de amizades eu só pudesse ter os "perfeitos da sociedade", aqueles que são vistos como aptos para receberem todos os méritos.
O que existe muito na cabeça das pessoas, e precisa mudar urgentemente, é a forma desordenada de enxergar os outros, valorizando as pessoas como elas são e não por algum tipo de aparência que possam ter. Cada um, do seu modo, consegue ser útil para a sociedade e ter o seu papel reconhecido de uma forma agradável e sempre bem vista por todos nós.
O que me deixa sem paciência é a forma abusiva como as pessoas impõe os seus direitos e como isso termina se transformando em motivo de briga e não de comunhão de ações. As cotas impostas pelas diversas legislações abrangem negros, aprendizes, deficientes, idosos, mulheres e muitos outros. Há ainda projetos que alguns governantes tentam aprovar e que criam ainda mais cotas para a sociedade que tenta ser democrática, mas pelo que vejo fica a cada dia mais seletista e vai diferenciando as pessoas que são ditas por lei como iguais. 
Se já tenho a Constituição Federal que afirma que todos são iguais perante a lei, independente de raça, credo e demais diferenças, por que tenho que ficar criando novas leis para distinguir isso?
O que falta é educação para as pessoas entenderem tudo isso e como ainda não temos esta prática no nosso cotidiano, ficamos sem saber como agir em determinados momentos, quando ainda valorizamos as pessoas pelo que possuem e não pelo que são.
Se tenho um amigo negro e rico, ele é a melhor pessoa do mundo. Se é negro e pobre, o excluo do meu círculo de amizades. É assim que funciona, inclusive com os brancos. Quanto aos deficientes, eles próprios se discriminam e são poucos os que acreditam em si mesmos como pessoas capazes e com grande potencial de trabalho. Talvez seja mais fácil para todos os ditos como 'excluídos da sociedade" esperar por benefícios impostos do que buscar as suas próprias conquistas com um esforço próprio e livre de qualquer preconceito.
Eu acredito na justiça e na igualdade quando ela é verdadeira e não quando é fruto de imposições que só geram atitudes falsas e que servem somente para cumprir um papel social que nem mesmo quem praticou acredita.

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