quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Fode Truque

Estive no centro da cidade do Recife nos últimos dias e me deparei com uma situação terrível e generalizada, pois a desordem e falta de manutenção dos espaços públicos é gritante e faz com que muitos lugares históricos percam a batalha para o lixo, pichações e má administração pública.
Vi a parede da Basílica de Nossa Senhora do Carmo perfurada por ambulantes, os quais queriam dar um apoio às suas barracas, tendo como apego uma igreja tombada pelo patrimônio histórico.
Observei o Pátio de São Pedro, descaracterizado, cheio de pichações e sem o colorido dos seus casarios lindos e cheios de história. Fiquei abismado com a quantidade de lixo acumulada em frente ao Mercado de São José, onde tal atitude é feita por aqueles que ali mesmo trabalham e tiram o seu sustento. Não valorizam sequer o lugar de onde tiram o pão nosso de cada dia.
Notei prostitutas depreciadas, pelo tempo e pelas doenças, invadirem a tradicional Praça do Diário e transformarem o local num puteiro, literalmente. 
O mais engraçado foi ver a gambiarra de fios nas famosas Pontes do Recife, fazendo com que a paisagem tão fotografada e divulgada ficasse afetada e cheia de interferências que denotam mais a preguiça das empresas responsáveis do que o compromisso com a beleza do local e preservação da paisagem.
Péssimo foi ver a Avenida Conde da Boa Vista toda quebrada, com suas paradas de ônibus sujas e servindo de acampamento para mendigos e bêbados. O trabalhador que se lasque no sol!
Difícil de engolir foi a imensa quantidade de espetinhos, iogurtes, frutas passadas e outros itens perecíveis sendo vendidos em carrinhos do tipo Fode Truque, pois, mascarados, como num passe de mágica, nos deixam na UTI e com uma infecção intestinal do fim do mundo e do fundo.
Nunca vi o Recife tão entregue, tão seboso, tão nojento e cheio de coisas ruins...
Uma pena que isso aconteça e tire o brilho de uma área tão bonita e histórica, como é o centro da cidade, abrigo de vários monumentos e local de nascimento da capital tão famosa e vista como desenvolvida.
Desenvolvida só se for no Calçadão de Boa Viagem, pois lá o mundo parece uma realidade paralela, onde nunca se mistura com as outras partes da cidade. Embora sofra com o descaso também, a conservação é bem melhor que nas demais partes do município.
Fruto do turismo, claro, pois, tudo que é visitante se hospeda por lá e terminam conhecendo o centro da cidade naqueles passeios rápidos e acondicionados num veículo, os quais não possibilitam uma visualização dos reais detalhes e cicatrizes que marcam a nossa história.

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