quarta-feira, 16 de maio de 2012

Café Coado na Calcinha

Café coado na calcinha é o remédio que muitos dizem que deve ser usado para enfeitiçar os homens e com isso tê-los por mais tempo. Existem outras crendices que afirmam que a “Chave de Pernas” é mais poderosa e eu digo que somente o carinho é necessário para cativar as pessoas e qualquer outra artimanha só será realmente útil para as relações passageiras e que tenham o fogo da paixão como combustível.
Não existe chá que sustente uma relação desgastada e que não tenha como fundamento o amor. Nada pior do que ter alguém no pensamento e ao concretizá-lo verificar que a pessoa que está ao nosso lado, na verdade, é um pesadelo dos piores e cheio de cenas nada engraçadas e emotivas. Relações possuem tempos distintos e algumas duram anos, que podem ser de felicidade ou de tristeza. Outras são passageiras, porém marcantes.
Dependendo do caldo do café, o efeito pode até acordar as paixões, mas se não tivermos o cuidado de deixá-lo sempre fresquinho, a azia que ele pode causar será terrível e comprometerá todo o sabor da relação que sempre começa gostosa, apimentada, passando por momentos onde o sabor fica mais suave e se não forem tomadas as devidas precauções para que o tempero volte a ser sentido, ficará “choca” e sem condições e ser degustada.
Não existe fórmula secreta para o amor; ele simplesmente existe e se torna especial nas nossas vidas.
Como explicar alguém que degusta diariamente do mesmo sabor por anos e nunca enjoa?
Somente um sentimento acima da média pode explicar e para isso não há receita de bolo que explique.
A mistura é feita geralmente de forma aleatória, intensa e com muito fervor. Todos os ingredientes são batidos rapidamente formando uma massa bem homogênea que fica difícil identificar o que é um e o que é outro. Estão unificados numa só carne e num só pensamento e nenhuma atitude que seja tomada é para o resultado unilateral, mas, sim, para a realização de ambos.
Não precisamos ficar colados como chiclete, mas a goma deve permanecer com sabor até o fim e deixar aquele gostinho de “Babalu” explodindo na boca e com a calda intensa e marcante. Até o “Babalu” de hoje não presta. Perdeu-se no seu próprio sabor e de marcante não tem mais nada.
Como seria bom se os amores de hoje tivessem realmente a profundeza do sabor de um café marcante, aromático e que isso ficasse bem presente nas nossas vidas, nos tirando o sono e deixando todos os nossos sentidos aguçados e cheios de vida...
Hoje coamos o nosso café amoroso nos papeis descartáveis e jogamos fora a cada uso.
Eu prefiro o coador tradicional, que começa branquinho e fica pretinho com o tempo, pois foi acumulando registros de todas as emoções que viveu e que contribuíram para que o caldo fosse ficando, a cada dia, mais gostoso e espesso.
É melhor coar na calcinha de algodão, porque a de renda não tem poder de retenção...
Reter o amor é a melhor forma de perpetuar o sabor por muito, muito tempo.

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