quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Sem Assunto

Com o advento das tecnologias, as pessoas passaram a não ter mais variedade de vocabulário e ficam cada dia mais presas aos celulares para realizarem suas conversas, através de mensagens, imagens e "emojis", que são os variados desenhos e símbolos que usamos na comunicação virtual.
A conversa está cada vez mais rara e se observarmos uma mesa de amigos ou até dentro da nossa casa, veremos que as pessoas estão dando mais atenção aos aparelhinhos tecnológicos do que aos que realmente merecem, que são seus filhos, esposas, namorados e demais participantes do nosso círculo social.
As pessoas ficam sem assunto quando estão frente a frente mas quando se deparam com um celular, as horas de conversas são intermináveis e parece que estamos diante de outra pessoa, bem mais evoluída e feliz da vida. Já me peguei observando algumas pessoas no celular, especialmente quando estão usando as redes sociais, e o que mais percebi foi que tentam e conseguem passar uma impressão bem diferente do que são, pois se estão tristes e carrancudos na vida real, publicam nas redes sociais algo bem diferente e cheio de informações alegres e cheia de entusiasmo.
A conversa entre as pessoas só existe se for de forma virtual e a cada dia ficamos desacostumados do contato real e que realmente vale a pena, como se isso fosse algo ruim de ser feito ou que comprometesse a nossa reputação diante das pessoas. A falta de contato termina afastando ainda mais as pessoas e gerando uma forma esquisita de se comunicar com o mundo, onde não temos mais vontade de estar perto e sim de nos comunicarmos somente por meio das frases feitas que publicamos a cada dia.
Os namorados preferem usar o celular do que curtir o momento, as famílias, quando saem para um almoço de confraternização, se preocupam mais com o celular do que com quem está próximo, deixando claro que o maior desafio da atualidade não é se tornar interessante para o próximo, mas ser mais interessante que o smartphone ou aplicativo nele instalado.
Não sei se acontece somente comigo, mas noto que quando estou conversando numa roda de amigos as pessoas ficam impacientes com o que está sendo dito, quando a vontade é de pegar imediatamente o celular para conferir as últimas atualizações disponíveis na rede.
Não sei onde vamos parar com esta falta de assunto e como as famílias e relacionamentos vão sobreviver a isso tudo, pois se o mundo virtual aproxima o mundo, afasta os que estão perto.

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