quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A Mulher do Fim do Mundo

Elza Soares lançou neste mês o CD "A Mulher do Fim do Mundo", um retrato marcante da artista que ela é, sempre revolucionando a música, os arranjos e esbanjando vitalidade na voz e nas suas ações. A abertura não poderia ser melhor e a música que dá nome ao álbum mostra uma emoção grandiosa na letra, onde a artista clama pela voz, pelo cantar, pela sua existência, como se realmente fosse a última mulher do mundo e cantando até o fim.
Emoção que ela faz com a voz e sentimos isso claramente quando ela canta.
As demais faixas mesclam um pouco de samba e pop, sempre com apelo rítmico diferenciado e com "samples" e arranjos eletrônicos de colocar qualquer artista da nova geração no chinelo, pois o que encontramos nos cantores da geração de Elza Soares são arranjos conservadores e letras melosas e que não falam do contemporâneo, como ela ousou fazer.
Palavrões são bem-vindos ao contexto musical e isso não soa com nenhuma afronta ao vocabulário, já que o enredo das músicas denota claramente a intenção dos autores em mostrar a realidade nua e crua, apegada a uma voz marcante e única como a que a artista possui. Violência contra a mulher, libido feminina e prostituição são alguns temas que ganham leveza na sua voz e nos ritmos eletrônicos que embalam as canções que foram reunidas no CD, que possui capa em papel grosseiro, porém com título brilhante e que coloca a cantora como uma das estrelas maiores da nossa música.
Achei o repertório bem escolhido e este veio num bom momento da carreira da artista, a qual já estava há um bom tempo sem trabalhos inéditos, deixando o seu público ávido por novidades, que realmente chegaram, apresentadas num trabalho musical que merece muitos elogios e coloca esta grande artista no pódio.
Há quem estranhe o timbre de voz que ela tem e justifique isso para não gostar do seu jeito de cantar, mas eu acho que ela é perfeita em sua forma de agir e de se entregar à música, sempre inovando e buscando auxílio dos novos talentos da música brasileira, em estilos diferenciados e que pouco são visitados por aqueles mais conservadores e que se interessam em só lançar o que é regravação, sem nunca trilhar o caminho do inusitado.
Elza é foda e botou para foder!
Deixem ela cantar, cantar até o fim!

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