terça-feira, 22 de setembro de 2015

País do Futebol?

Futebol, claro.
Ontem, simultaneamente, tivemos dois anúncios: as medidas do Governo do Estado de Pernambuco para conter a crise e o endividamento e a contratação do novo técnico do Sport a peso de ouro. O que mais se falou, em todas as redes sociais, jornais e no boca a boca foi a contratação do técnico do time de futebol e nem perceberam que o assunto mais importante deveria ser aquele que influencia o nosso sustento, a nossa moradia e a nossa vida em sociedade, pois a cada momento estamos mais endividados, pagando mais impostos e ganhando menos.
O brasileiro ainda não aprendeu a dar valor ao que realmente importa e termina perdendo tempo com besteiras e com assuntos que não trazem nenhum fruto, exceto dor de cabeça e agonias, pois em dias de jogo dos times pernambucanos, a bagunça é tremenda e os 'torcedores do mal" fazem a festa quebrando o metrô, os ônibus e causando medo aos que ainda pretendem ir a um estádio para ver uma partida de futebol em paz.
Eu mesmo já fui assaltado por uma galerinha do Sport e tenho medo quando vejo alguém usando aquele uniforme em dias de jogo, especialmente se estiverem em grupos e andando na minha direção. A vontade é sair correndo e na primeira oportunidade desvio logo o caminho.
Ainda perdemos muito tempo com o futebol e não damos a ele um destaque igual ao que damos aos demais esportes, os quais nem são notados em determinados campeonatos, tamanha é a calmaria que oferecem para aqueles que querem assistir às partidas.  
Quem paga o salário milionário do novo técnico do Sport? Claro que são as empresas que patrocinam o clube e ficam chorando a crise fora do campo, como se de uma hora para outra o dinheiro aparecesse para bancar aquela nova contratação que não significará em nenhuma vitória, já que o técnico não vem com um selo de garantia para esta finalidade.
Lembro que há alguns anos os pernambucanos fizeram o maior quebra-quebra devido a um aumento de R$ 0,05 na passagem de ônibus e hoje não abrem o bico para contestar os aumentos dos impostos divulgados pelo Governo do Estado e que muito aumentarão as nossas despesas. Atribuo esta tamanha inércia ao fato de que a notícia mais interessante foi realmente o futebol, deixando de lado o gol contra que marcamos em matéria de evolução fiscal e social.
Não temos dinheiro para nada, mas para ir a um estádio assistir a um jogo, que é televisionado, retiramos moedas até de um porquinho que presenteamos o nosso filho, o qual servia para que o "bichinho aprendesse a usar o dinheiro corretamente". 
Precisamos dar atenção ao que interessa e não nos preocuparmos com a recepção pouco calorosa do novo técnico no aeroporto. Nossa preocupação deve ser com o nosso bem estar e cobrar isso dos governantes é bem mais sadio do que ficar discutindo quais serão os pernas de pau que irão perder o jogo da semana que vem e deixar o time numa lanterna com luz fraca, igual a do nosso Estado e País que sofre com a crise da desorganização.
Olhem os estádios da Copa do Mundo...
Lindos, inutilizados. Valeu alguma coisa?
Se tivéssemos empregado este dinheiro corretamente não estaríamos com esta crise e as unidades de saúde do Estado não estariam fechadas por falta de médicos e meu retorno para casa seria bem melhor se não tivesse que desviar dos inúmeros buracos que as estradas apresentam e que envergonham o nosso Estado e a sua total falta de administração e direcionamento.
Até quando vamos ser tão inertes e despreocupados com nós mesmos?
Será que realmente somos o País do Futebol?
É muito pouco.

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