terça-feira, 7 de outubro de 2014

Lampião e Lancelote

Assisti no último domingo, no Teatro de Santa Isabel, o musical "Lampião e Lancelote" que mostra o inusitado encontro entre dois guerreiros, de épocas distintas e com costumes e meios de vida bem inusitados, já que um era da época medieval e outro do período do cangaço, bem mais atual.
A sede de amor da feiticeira Morgana, fez com que o cavaleiro Lancelote fosse mandado para o Nordeste brasileiro e lá encontrasse o grupo de lampião com toda a sua valentia e diferenciais, que iam da roupa até a forma tradicional de dançar o xaxado e forró. Desse encontro surgiram vários desentendimentos, claro, pois cada um queria medir forças e demonstrar quem era o melhor guerreiro e justiceiro, mesmo que com propósitos bem diferentes, já que Lancelote era movido pela fidelidade ao rei Arthur e Lampião tinha como inspiração ele mesmo.
O convencimento dos dois fez com que a relação de amizade fosse tardia e a admiração que passou a fazer parte deste relacionamento entre guerreiros teve um início conturbado e cheio de disputas, seja pelas armas ou roupas que casa um vestia. O espetáculo foi totalmente musicado por Zeca Baleiro, que mostrou uma competência enorme para contar em verso e prosa as situações  do enredo, colocando a música como adjuvante.
Da obra de Fernando Vilela e adaptado para o teatro pelo artista Braulio Tavares, Lampião e Lancelote nos mostra como é engraçada a diferença das culturas existentes e como elas podem gerar situações de conflito, mesmo entre pessoas que apresentam características similares, como foi o caso dos dois personagens principais, cada um com a sua época e sua maneira de fazer justiça.
Destaco a iluminação, o rico figurino e a trilha sonora como pontos altos do show, sem esquecer, claro, os atores que, nesta nova montagem, estão bem afinados e cheios de ótimas interpretações. O grupo inicial tinha alguns atores diferentes, mas isso é bem característico de alguns espetáculos musicais e que trazem atores famosos, os quais vão cedendo os espaços para que outros venham ocupar e fazer bonito na interpretação.
Muitas vezes a agenda de cada artista impede que permaneçam até o fim numa mesma montagem, mas isso é um detalhe. O que vale é o divertimento.
Sem dúvida, uma boa forma de encerrar o domingo.

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