segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Vendendo o Peixe

Quando estava contemplando a bela imagem desta fotografia, tendo como pano de fundo o céu azul e o mar de Olinda, chegou um grupo de turistas perto de mim, guiados por um profissional meio equivocado das suas atribuições, pois ao invés de mostrar o local e falar um pouco da sua história, achou melhor dizer o seguinte:
"Apesar desse mar ser azul e tão bonito, é impróprio para banho; Olinda não tem saneamento básico adequado e a sujeira vai para o mar..."
Não o enxerguei e até decorei o que o triste falou...
Alguns comentários são desnecessários, pois não agregam resultado algum ao contexto de determinadas ações que tomamos, já que quem escuta não está interessando naquele tipo de opinião ou muitas vezes acha aquilo até pitoresco e ainda mais cativador para a admiração.
Quem tem um pouco de consciência e percepção já deve ter a noção que as praias urbanas, por mais bem tratadas que sejam, possuem poluição. No Recife e em Olinda, cidades que são cercadas por rio e mar, sendo o primeiro um esgoto sem fim, já deve imaginar o que estou falando. É claro que o rio vai para o mar e lá deposita muitas impurezas e faz com que a água fique cheia de micróbios que fazem mal à nossa saúde e pele. Em Olinda isso é ainda pior que no Recife e isso é fruto das ocupações desordenadas e que não pensavam no meio ambiente como hoje começam a se preocupar.
Se eu fosse guia turístico não tocaria nesse assunto e deixaria os visitantes com a bela paisagem, pois o conforto e paz que ela dá é bem maior que a imaginação da sujeira que a água possui. Não se trata de mentir ou iludir, mas de enfatizar o que realmente interessa e deixar para lá o que nada traz de inovador e engrandecedor. 
Se nos preocuparmos sempre com estas besteiras, ficaremos sem o desfrute dos bons momentos que a visão nos proporciona e que deixa o olfato sem função por alguns momentos, já que a nossa mente recebe a informação da beleza e dela faz todas as suas conclusões e comentários.
Temos que "vender o nosso peixe" de forma correta e deixar os detalhes ruins somente para as horas que eles realmente precisam ser ditos. Ninguém iria tomar banho de mar naquele grupo, nem tão pouco descer para ver a orla de perto, então a preocupação de falar aquela frase foi ineficaz e só fez despertar na cabeça de todos que toda aquela beleza e azul, na verdade, eram resíduos de esgoto que de longe tinham aquela bela tonalidade.
Deixem os comentários desnecessários para os instantes que eles precisam existir e esqueçam dos mesmos nos momentos de deleite e pura descontração. A sensação de felicidade e paz não pode ser perdida por tão pouco.
Isso vale para todas as nossas ações, para toda a vida...

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