quinta-feira, 11 de julho de 2013

Bilíngue

Com o aumento do turismo e para que tenhamos um diferencial na hora da venda de alguns produtos, é comum encontrarmos anúncios em duas ou mais línguas, sendo o mais usual o português e o inglês. Na última semana percebi que até o tradicional "Raspa Raspa" estava sendo oferecido em duas línguas num ponto turístico daqui da capital pernambucana, o Marco Zero.
Em alguns casos é totalmente aceitável o uso das duas línguas, mas em outros o uso indiscriminado e sem controle termina deixando muitas frases sem sentido ou faz com que muitas pessoas comam alimentos, usem roupas e cantem músicas sem nem mesmo saber o significado do que estão ingerindo, divulgando ou falando.
Parece até que uma camisa escrita em português fica feia e brega, pois muitas frases sem sentido, em inglês, valem mais do que algo elevado e bem escrito na nossa língua materna. É uma cultura que não temos como conter e isso se dá porque sempre há a preocupação em dar ao produto uma característica diferenciada, nem que isso muitas vezes seja totalmente desnecessário e sem real valor.
Algumas placas que foram colocadas na Copa das Confederações viraram motivo de piada na internet, pois foram traduzidas para o inglês em sentido literal, sem respeitar o real sentido das palavras e que não existem tradução em outra língua. Para mim, o "Raspa Raspa" será sempre o mesmo e traduzí-lo para "Shave Shave" é agredir uma bebida tão característica da nossa região e que faz parte da nossa cultura. Por que não chamamos "Hamburguer" de Pão com Carne, ou quem sabe o "Petit Gateau" de Bolo Recheado com Sorvete?
Pelo simples fato de não valorizarmos a nossa linguagem e por achar que tudo importado, seja em que língua for, merece mais destaque que os nossos usuais dialetos, pois os sotaques de cada região do Brasil fazem com que muitos itens tenham nomes e apelidos diferentes.
Para mim "Donuts" é uma Rosquinha e um "Cupcake" é um Bolo de Bacia Enfeitado.
Escolher a melhor forma de qualificar as coisas é importante, mas temos que preservar a nossa língua para que o sentido real não seja perdido e terminemos nem sabendo o que realmente é isso ou aquilo.
Eu prefiro o "Raspa Raspa". E você?

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