quinta-feira, 4 de abril de 2013

A Opinião da Joelma


O que mais se falou nesta semana, em todas as mídias possíveis e imagináveis, foram as declarações da cantora Joelma, da Banda Calypso, e que estavam relacionadas a opção sexual das pessoas, que, segundo ela, poderiam ser curadas por força da religião. O que mais me intrigou não foram as informações equivocadas da Joelma, mas sim a agonia das pessoas para recriminar uma opinião que é dita diariamente por muitas pessoas e que não sofrem as represálias que ela está tendo.
A figura pública que ela é causa este alvoroço todo e faz com que muitas agressões e piadinhas sejam feitas, maculando a imagem da cantora como se ela não tivesse um histórico anterior e muitos fãs pelo Brasil. Ela tem o direito de pensar e falar o que quiser, mesmo que isso pareça um absurdo para muitos.
Não vejo motivo para que todos repudiem a cantora e digam que suas músicas não valem nada. Isso eu já escutava desde o início da carreira dela e nunca fui muito fã do ritmo que é tocado em todos os cantos do país. Entendo a opinião dela, que é baseada na religião que agora segue e sei que não somente ela possui este pensamento, mas percebo que a falta de orientação fez com que ela falasse mais do que deveria.
Se eu fosse uma figura pública como ela, mediria minhas palavras e evitaria ao máximo entrar em assuntos controversos e que representassem grande parte da população, como é o caso dos gays, negros, deficientes e tantas outras diferenças que encontramos por aí.
Muitos que criticam não sabem nem o que é opção sexual, quanto mais sobre a cura disso, que é impossível, já que o homem ou mulher já nascem desta forma e não se tornam gays por opção. Alguns tem isso mais forte dentro de si e terminam optando por caminhos mais difíceis de serem aceitos em sociedade, como é o caso dos travestis, que ainda se tornam figuras carnavalescas em muitas ocasiões. No final de semana passado estava assistindo a uma apresentação de teatro de rua e só o fato de três travestis estarem presentes, já causava uma inquietação na plateia que não prestava atenção em mais nada e só usava o tempo para criticar os homens, com cara e corpo de mulher.
Assim mesmo acontece com os gays e a população se faz de boazinha para criar uma imagem de receptiva e amigável, quando na verdade a língua ferina e os olhares desencontrados são as formas de expressão mais constantes. Estamos numa sociedade livre de opinião e podemos dizer qualquer besteira, inclusive dizer que há cura para um gay.
Não há. Jamais haverá.
O gay padece de uma formação genética diferente e que o faz igual a todo mundo, tendo como diferente somente o gosto pelo mesmo sexo na hora dos relacionamentos e desejos sexuais. O que a sociedade precisa entender de uma vez por todas é que todos são iguais e a opção sexual não é fator determinante de nada, pois todos merecem o mesmo respeito e consideração para tudo que realizarem na vida.
Joelma pode falar o que quiser e ela está correta em manifestar sua opinião, mesmo que contrária a da maioria das pessoas, afinal vivemos ou não em uma sociedade democrática?
Será que todo mundo tem que manifestar a mesma opinião sempre?
Até quando o fator determinante para que a notícia seja jogada no ventilador vai ser a fama? Vejo evangélicos fervorosos diariamente dizendo o que ela disse e nem por isso são criticados como ela está sendo.
A hipocrisia sempre fala mais alto e terminamos esquecendo que a crítica sempre é mais fácil que a reflexão e que é muito melhor ser uma "Maria vai com as outras" do que uma pessoa de opinião.
Opinião existe para ser dita e não precisamos concordar com elas e nem agredir as pessoas quando dizem coisas que não são pertinentes à nossa realidade ou fogem demais do contexto. Cabe a cada um de nós ser informado e estudioso sobre os assuntos e dessa forma falar menos besteiras em cadeia nacional.
Não aguento mais os sites de notícia com a mesma balela sem fim e isso é algo que deveria nos afligir, pois o brasileiro possui muitas outras informações para se preocupar e ficar perdendo tempo com a cura impossível de uma doença que não existe é, no mínimo, falta de maturidade e inteligência. 

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