segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Paraíso Perdido

Após algum tempo ausente, visitei novamente a Praia de Pipa, no Rio Grande do Norte, neste final de semana e fiquei impressionado com a quantidade de lixo que vi espalhado pelos lugares, fruto do turismo desenfreado e da falta de cuidado do poder público que não valoriza os espaços que tem e só pensa no lucro gerado pelas diversas formas predatórias de consumo que hoje existem.
A raça pior do mundo é a que não tem consciência sobre preservação ambiental e tratam os espaços como se fossem um lixão, deixando seus rastros de sujeira por todos os lados e tornando a visão de tudo um pouco distorcida e sem a beleza de antes. Quando fui em Pipa a primeira vez, há uns 11 anos, fiquei encantado com o que vi e hoje percebo que o desgaste local é muito grande, já que a quantidade de construções irregulares afeta muito a paisagem e faz com que tudo fique carregado e sem as boas características do paraíso que é vendido nos anúncios turísticos.
Praia do Centro está cada dia mais cheia de sujeira e as barracas do local deixam seu rastro de nojeira, onde podemos encontrar restos de tudo, inclusive de materiais não recicláveis ou que demoram inúmeros anos para se decompor. Eu ficava pensando como é possível as pessoas viverem daquelas atividades e não cuidarem do próprio espaço que tiram o seu sustento. 
São péssimos administradores do próprio negócio.
Praia do Amor está favelizada, cheia de barracas mal edificadas e que ocupam de forma desordenada os espaços da praia, cobrando caríssimo pelos serviços ruins que prestam à população. O turismo está meio confuso em Pipa e a quantidade de línguas que falam os visitantes parece que afetaram a comunicação de todos e fez com que as pessoas não entendessem o que é realmente certo ou errado.
Na Praia do Madeiro, enquanto descemos a grande escadaria que nos leva à Baía dos Golfinhos, notamos muito lixo jogado nas encostas e tudo isso afeta a visão do que temos, já que a beleza do espaço fica comprometida e nos faz perceber que a calmaria e preservação só existem naquilo que o homem não colocou a sua mão destrutiva.
Está tudo muito desordenado e sem limites, gerando sujeira em demasia, lixo espalhado pelas ruas, calçamentos sem manutenção, esgotos entupidos, construções irregulares e muitos detritos jogados em locais irregulares. Praias quase desertas estão sendo usadas como depósito de metralhas de construções e as diversas placas que encontramos nas ruas, alertando sobre a poluição do local, não surtem o efeito necessário e ficam sendo vistas somente como decorativas. Parece que as mensagens não geram nenhum efeito benéfico nas pessoas e elas ficam cada dia mais inconscientes e despreparadas para viver em sociedade, preservando o meio ambiente e cuidado dos espaços comuns.
Uma doença generalizada que já encontrei em outras praias e que cada dia se torna mais evidente com o crescimento do turismo e das diversas opções de lazer que a natureza nos oferece e que fazemos o possível para desgastar.
Mesmo assim, ainda vale o passeio e recomendo ir para fora do Centro de Pipa, onde ainda podemos ter acesso a algumas praias mais tranquilas e preservadas, onde realmente a natureza ainda existe, mesmo que atingida pelo homem sem noção e completamente desconhecedor do seu papel como cidadão.
Um paraíso perdido, mas ainda com grande beleza.
Vale a pena conferir também a variada gastronomia local, onde os frutos do mar fazem a festa e nos presenteiam com sabores variados e deliciosos. Atenção aos preços, pois a variação é muito grande e nem sempre é justificável!
Tem gente que fuma um baseado legal na hora de determinar os preços dos seus cardápios; ficam doidões de verdade e perdem a noção da realidade, deixando tudo muito contaminado e fazendo com que os turistas passem mal com tantas loucuras e variações.








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