quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O Apurado da Noite

Existe raça mais fofoqueira que porteiro e vigilante?
Alguns podem até fugir da regra, mas a maioria é triste e termina sabendo mais do que deveriam da vida dos outros, seja pela naturalidade da atividade que desempenham ou pela forma investigativa que possuem de sempre buscar mais e mais informações, talvez para ocupar o tempo, já que a maioria tem o ócio como companheiro durante o expediente.
Outro dia quando saí para trabalhar, tinham três na minha esquina, todos de condomínios vizinhos, debatendo sobre os assuntos de cada prédio e compartilhando as informações mais quentinhas do apurado da noite, que deve ter sido cheia de situações interessantes.
O filme "O Som ao Redor" mostra um pouco desta realidade que é bem real e faz com que tenhamos muito cuidado nas nossas ações, ainda mais quando vivemos em um condomínio com muitos moradores e diversidades fantásticas.
É difícil ter um assunto que o porteiro não domine, ainda mais quando este é fofoca ou futebol. Deixam de prestar atenção nas pessoas que entram e saem para assistir ao jogo na telinha da TV de 10 polegadas ou quem sabe naquele rádio pequenino que fica ao pé do ouvido.
São várias as formas de se conectarem com o mundo ao redor e ainda mais quando passam a ter acesso ao universo das correspondências e encomendas que são deixadas na portaria. Outro dia o porteiro do meu prédio quando foi me entregar um pacote, me falou: "O Sr. gosta de uma bolsa, não é?. Chegou outra, viu..." 
Minha cara: P A S S A D O.
E teve outra oportunidade que o outro disse assim: " Se algum dia o Sr. não quiser mais um desses sapatos que comprou, pode me dar, eu acho que meu número é o seu."
Claro que ele sabia qual era o número, pois a nota fiscal estava na parte externa da encomenda, protegida por um plástico transparente que deixava fácil a leitura do conteúdo e também do tamanho do sapato comprado. 
Gente curiosa é assim mesmo e descobre tudo o que quer, nem que seja para não ter utilidade alguma, somente para alimentar a língua ferina e a mente fértil na hora certa ou para ter assunto para comentar com os coleguinhas de profissão.
Faz parte da vida e fugir disso é imaginar um mundo paralelo ao nosso, ainda não idealizado ou descoberto. Enquanto este ideal de vida não aparece, vamos vivendo de fofoquinhas aqui e ali e falando da vizinhança toda.
Eita que coisa boa, não é?
Chama o porteiro... Ele tem notícias quentinhas, apuradíssimas!

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