quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Rótulos

Feio, magro, alto, inteligente, calmo, agoniado, burro, enrolado, tabacudo, fedorento, cheiroso, arrogante, amigo, depressivo, antenado, cultural, bem dotado, pinto de anjo, cabeludo, dedo duro, chupão, agressivo, besta, idiota, frio, desajustado, tempestivo, previsível, bagunceiro, organizado, estudioso, medroso, pintosa, fresco, machão e tantos outros...
Desde a nossa infância verificamos os diversos tipos de rótulos que nos são dados, seja pelos nossos pais ou amigos, que sempre acharam em nós alguma característica que pudesse ser denotada e sempre vista como essencial para nos qualificar, ainda que nem sempre concordemos com algumas delas. O engraçado é que com o passar do tempo e com a constância das situações, passamos a enquadrar determinadas palavras ao nosso ser e fica complicado nos desvencilharmos de muitas delas, adotando o que realmente somos e que faz parte da nossa existência.
Se falo constantemente para o meu filho que ele é burro, a tendência é que ele assimile isso de uma maneira muito natural e passe a agir como um idiota na maior parte do tempo, sempre esperando que os outros façam por ele o que é da sua responsabilidade. A mesma coisa ocorre quando incentivamos uma menina bonita a ser vaidosa e fútil ou até um gordinho a ser mal vestido. Poucos são os que realmente saem desta zona de conforto e mostram algo diferente.
Tem que ter um ego acima da média para sair da rotulação e criar uma determinação expressiva, onde nem sempre as verdades ditas pelos outros são realmente as que fazem parte da nossa vida e podem ser vistas como verdadeiras.
Sempre somos lembrados por algum rótulo, pode perceber...
Quando alguém nos qualifica ou quando lembramos de alguém, o rótulo está sempre acima da pessoa e faz com que algumas pessoas sofram com isso, sendo injustiçadas em alguns casos que poderiam ser bem diferentes se um pouco de educação e compreensão pudesse ser adotado.
Nos afastamos de algumas pessoas porque são rotuladas como chatas ou deixamos fora do nosso grupo aquele gordinho com cara de tabacudo porque achamos que ele não tem o perfil adequado da nossa galera. Muitas vezes isso está totalmente errado e deixamos de conhecer ou de nos relacionar com pessoas ótimas, simplesmente pelo fato de criarmos um rótulo prévio sem conhecermos o conteúdo real da pessoa.
É bom ler as instruções do rótulo, os ingredientes de cada um e, assim, ver se a validade está dentro do nosso padrão de qualidade, que pode ser muito rígido ou até acatar algumas podridões, dependendo do caso e das interferências que sofrer. Muitas vezes a necessidade nos faz perder os rótulos até então existentes e permite que a nossa visão enxergue as coisas e pessoas de uma forma totalmente diferente e bem mais cristalina do que possamos imaginar.  
O rótulo não é a resposta de tudo e ele pode também nos enganar e nos fazer escolher as pessoas erradas, pois na simplicidade de dados habita todo o entendimento.

0 comentários:

Postar um comentário