terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Chatô, O Rei do Brasil

Valeu a pena esperar tanto pelo filme que Guilherme Fontes produziu sobre a vida de Assis Chateaubriand, pois a maestria com que as cenas foram realizadas mostram que o artista estava no caminho certo e mesmo após tantas polêmicas, o seu trabalho pode ser visto de uma forma positiva, pois trouxe ao público brasileiro um belo exemplar do cinema nacional e fez com que os momentos dedicados ao filme sejam de puro deleite e muita alegria.
O Chatô que é mostrado na tela do cinema é um homem extremamente nacionalista e muito inteligente, apesar de usar este fator algumas vezes para fazer ações nada dignas e que corrompiam a sua capacidade de ser um bom empreendedor. Usava da influência com abuso e fazia isso para obter benefícios e reverter quadros nada satisfatórios ao seu favor. Era um visionário com os pés no chão e criou um império das comunicações, o tornando um homem muito rico e influente.
Para quem começou do nada, ele foi muito, muito longe.
O filme mostra os devaneios que ele, acometido de uma trombose, teve ao relembrar a sua vida e os acontecimentos mais marcantes, onde as mulheres, o trabalho, as amizades e a forma abusada de agir o conduziram a um julgamento inusitado que refletia bem o espírito televisivo que por ele foi idealizado também, já que foi o fundador da TV Tupi, um marco na nossa história da comunicação.
O filme é ágil e não deixa nossa mente parada, pois faz com que as situações propostas pelo cineasta sejam mostradas com rapidez e sem a impressão de que estamos contando uma história sem o mínimo de vivacidade. Os atores que participaram do filme pareciam que ficaram parados no tempo e isso é visto pelas cenas de todos, já que hoje, após muitos anos, ainda se mostram jovens e bem parecidos com o que eram na época das gravações.
Atenção aos figurinos, reconstituições de época e todas as demais investidas cênicas que foram empregadas no desenvolvimento da obra que teve uma montagem primorosa, com cores bem reais e situações bem relacionadas.
Foi bom ver a obra no cinema e a curiosidade que me despertou não foi a mesma que vi na sala onde estive, pois estava vazia e não contei nem 20 pessoas para assistir à sessão que fui no último sábado. Talvez o local tenha influenciado, pois é um local que geralmente exibe filmes de arte e pouco comerciais. 
É um filme com a cara do Brasil e todas as loucuras que Chatô cometeu em nome da sua forte atitude mostram que sempre temos um pouco de corrupção dentro de nós, pois muitas das ações que foram praticadas por ele, ainda são realizadas de forma velada por muitos profissionais capazes de manipular a grande massa da população desinformada e carente de informação.
Ganha quem tiver mais influência e souber ajustar direito o comando das comunicações e de tudo que ela pode nos oferecer, seja para o lado bom ou ruim.
Ele vai para o trono ou não vai?

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