terça-feira, 6 de outubro de 2015

A Fila Anda

Devagar, mas anda...
Hoje fui para uma palestra sobre administração no Paço Alfândega e quando cheguei lá me deparei com uma fila gigantesca na porta da Livraria Cultura, algo que jamais tinha visto por lá. Logo pensei: Deve ser alguém muito importante que está por lá, tamanha era a movimentação de pessoas. 
O evento era, na verdade, o lançamento do livro da Andressa Urach, no qual ela relata toda a sua trajetória de vida, a qual teve altos e baixos e muitas citações sobre drogas e prostituição. Achei aquilo tudo tão excessivo e deu para perceber como as pessoas valorizam o bombástico e deixam de lado a arte verdadeiramente dita, pois se fosse um artista mais real não teria tamanho destaque.
A forma como as pessoas se comovem com tão pouco é impressionante e terminam criando um evento à parte, já que era até engraçado ver a atitude das pessoas quando chegavam perto da ex-modelo. A maioria era formada por evangélicos e gays, os quais estavam ávidos pela leitura do livro, registrando fotos e momentos de recordação diante de algo tão "pitoresco". Algumas pessoas não sabiam se tiravam foto com a artista, com as escadas rolantes ou diante das lojas do shopping, embora algumas pessoas tenham ousado e feito tudo isso ao mesmo tempo, já que o Paço Alfândega é um shopping mais afastado das massas e tem um perfil mais diferenciado de consumidores.
Estar ali, naquele shopping, já era uma festa, um evento... Imagina com o lançamento de um livro tão "importante"?
A fila anda para muita gente e para a Andressa Urach a rapidez foi bem significativa, pois para quem tinha perdido a bunda e as coxas através da drenagem do excesso de hidrogel contido no seu corpo, até que ela está bem na foto e contando com uma mídia ainda mais relevante que antes.
Se mostrar a bunda era fonte de renda, agora, escondê-la, se tornou bem mais lucrativo e faz a vida ser mais agradável. As oportunidades aparecem e os espertos aproveitam da forma que podem, criando novos "nichos de mercado", seja para se manterem vivos na mídia ou para não perderem a fonte de renda que antes existia. 
Admiro o olhar empreendedor, a agilidade para as oportunidades, mas não a trajetória da artista. Não me admira se em pouco tempo a sua vida estiver estampada nas telas do cinema, algo bem comum hoje em dia, quando a polêmica vale mais que a arte.
A sociedade está doente mesmo e vive um caos de realidade e consciência, não identificando as armadilhas que nos tornam reféns das banalidades e nos fazem gastar dinheiro com o que nada vale. Antes a vida da artista era bancada pelos seus clientes, hoje todos nós financiamos a sua nova carreira, com direito a foto e registro no Facebook.
Acho isso lindo...
Amém!

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