domingo, 7 de junho de 2015

Três Mundos

Hoje a trilha foi pelos municípios de Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho, mais precisamente pelas praias de Barra de Jangada, Paiva e Itapuama. Três mundos tão distintos que fica impossível não sentir as desigualdades que cada um apresenta já que os detalhes que os separam são mais gritantes do que podemos imaginar.
Começamos a caminhada pela Praia de Barra de Jangada, no final do município de Jaboatão dos Guararapes e o que pudemos comprovar foi que a praia, apesar da visível degradação, passou por melhorias e hoje tem aspectos bem melhorados se compararmos a sua situação há 15 anos. A Ilha do Amor, na verdade, é uma penísula que separa os municípios e proporciona um local adequado para o convívio dos pescadores que ali fazem a sua rotina acontecer, pois o encontro do rio e mar torna as águas mais tranquilas e a profundidade mais adequada para a navegação. O ruim é perceber que os próprios pescadores e donos de barracas de praia fazem a bagunça no local e o acúmulo de entulhos e lixo é muito grande, deixando o local com um aspecto descuidado e ajudando a prefeitura do município, que é famosa pelo descaso que tem com os seus espaços. Há uma quantidade considerável de carros roubados pelo caminho e não é difícil encontrar esqueletos de veículos que foram totalmente estragados e queimados, contribuindo ainda mais para que o local ficasse com uma aparência ruim. No período da noite a área deve ser bem perigosa...
Seguindo mais adiante, passamos pela Ponte Arquiteto Wilson Campos, ou popularmente chamada de Ponte do Paiva, que nos leva até o município do Cabo de Santo Agostinho, local onde está implantada a Reserva do Paiva, empreendimento imobiliário que abriga construções diversas, de alto padrão e com acabamento impecável. Lá estão situados os empreendimentos mais caros da região e abrigo do Sheraton Reserva do Paiva, hotel e centro de convenções que tem ao seu lado um complexo empresarial e gastronômico de causar admiração. Tudo lá é muito organizado, limpo e não encontramos sinais de destruição, já que tudo é privado e até o acesso às praias é monitorado por vigilantes, o que termina gerando uma certa intimidação aos visitantes. Nesta praia só encontraremos belas paisagens e algumas áreas possuem piscinas naturais e muita sombra nos coqueiros. Farofeiros não existem e aquelas agonias de praias movimentadas é bom esquecer, pois lá é tudo muito reservado e adaptado ao alto poder aquisitivo dos seus moradores.
Na Praia do Paiva podemos ver muitos surfistas devido a alta concentração de ondas, mas as placas de aviso informam que os tubarões estão por perto e todo cuidado é pouco para que nenhuma surpresa ocorra. 
Chegando ao nosso destino final, a Praia de Itapuama, percebemos a diferença gritante que separa as praias vizinhas, pois neste espaço a farofa é bem comum e os barraqueiros fazem a festa tornando o local agitado e bem procurado pelos banhistas. Uma praia pequena, que tem alguns montes de pedras e nos leva ao belo litoral do município do Cabo de Santo Agostinho.
O dia estava chuvoso, mas ainda pude fotografar imagens boas, porque o sol sempre aparecia e nos dava um pouco do seu conforto. O que ficou bem claro neste passeio é a disparidade que temos em cada área da cidade, principalmente nos espaços que são públicos, pois nestes a falta de conciência das pessoas que os frequentam é grande e termina comprometendo uma paisagem bela e paradisíaca. Ao contrário dos ambientes privados, como é o caso da Praia do Paiva, tudo é muito organizado e planejado e dá gosto ver o trato que os espaços possuem e como a natureza pode ser contribuir para que tudo se torne ainda mais atrativo e belo.
Passeio válido e muito interessante, algo que pode ser feito sozinho, de bicicleta, numa manhã de domingo...
Fomos em grupo e isso foi bom para que descobríssemos juntos as belezas destes três mundo tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes. Realidades paralelas que são difíceis de serem juntadas.




















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