terça-feira, 14 de abril de 2015

Febre e Cabeça de Galo

Sabe aqueles dias que era melhor ter ficado na cama?
Pois bem, domingo passado foi um deles, pois tive febre consecutiva e forte por dois dias, devido a uma inflamação na garganta e isso me fez ficar cansado e muito fraco, pois a desidratação causou em mim uma sede além do normal. 
Mesmo assim fui para uma trilha que estava marcada há algum tempo e como sabia que o roteiro era leve e praticamente em locais com sombra, segui em frente no desafio e fui fazer a caminhada na cidade de Igarassu, região metropolitana do Recife.
Fui hesitante, mas segui...
O roteiro teve início no abandonado Engenho Monjope, o qual não tivemos acesso e passamos somente na frente, observando de longe o descaso dos tombamentos governamentais que impedem a descaracterização de prédios históricos, mas não fazem nada para preservar o que existe. O que pode acontecer em breve é o prédio tombar verdadeiramente e virar pó, já que o estado deplorável de conservação não justifica o "cuidado" que o governo tem pelo seu patrimônio.
Encontramos no caminho um grupo praticando a religião do candomblé e preparando um culto de agradecimento ao orixá das matas, oxóssi. Eram frutas, carnes e uma bebida feita com ervas chamada "jurema" da qual provamos um pouco e seguimos em frente na nossa aventura. Fomos muito bem recebidos e o grupo fez questão de nos contar um pouco da história dos seus ancestrais e de falar do significado do ritual que busca a paz e a harmonia do homem com a natureza.
Mais adiante encontramos um rio e um belo bambuzal que serviu de local de descanso para o grupo e onde pudemos também tomar um reconfortante banho de rio, onde a água limpa e fria nos tirava o calor do corpo e refrescava a nossa mente para o resto do caminho, que ainda nos mostrou vastas plantações de macaxeira e milho. 
Eu só molhei os pés e me dei por satisfeito...
No final do caminho, paramos num pequeno boteco e lá pude tomar um caldo chamado "cabeça de galo", feito com alho, pimenta do reino, verduras e charque picadinha. Tomei meio sem vontade porque estava enjoado e sem apetite devido ao período em que estive doente.
Encarei mesmo assim...
Posso garantir que foi uma das melhores coisas que fiz, pois o sabor estava ótimo e deu para sentir uma força extra invadindo o meu corpo e fazendo com que eu percebesse que o dia valeu a pena, mesmo com as energias reduzidas.
Pior era ficar em casa e piorar ainda mais, já que a doença só quer uma preguiça e um corpo descuidado para se manifestar ainda mais. Temos que levantar a cabeça sempre e mostrar para nós mesmos que a nossa força interior merece o nosso empenho e dedicação para que se torne a cada dia mais forte.
Para coroar o dia, perdi minha máquina fotográfica na volta e por sorte minha deixei cair dentro do ônibus que nos transportou. Quando liguei para a empresa responsável, tive a ótima notícia de que a máquina estava guardada e então pude resgatar as fotos que pensava ter perdido. 
Foi a febre, mas ainda bem que esta passou...
Tudo resolvido, tudo em paz.
Energias novas e muitos registros legais dos locais que passei. Se tivesse ficado em casa não teria história para contar...
Para quem tomou soro com dipirona e uma benzetacil no dia anterior, até que eu fui bem, muito bem...














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