segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A Boia Boiou...

Aqui em Pernambuco usamos o verbo "boiar" quando nos referimos a algo que estava sendo vendido e que sobrou, dando prejuízo ao comerciante ou fazendo com que ele vendesse o que faltava por um preço mais barato ou até abaixo do custo para compensar o furo no orçamento.
O que muitas vezes percebo é que alguns itens são vendidos em locais adequados, mas nem tanto assim...
Nem tanto assim porque geralmente as pessoas já trazem de casa aquele item, por se tratar de algo caro e que é bem mais barato em lojas de departamento. Comprar uma boia na praia ou até um protetor solar é algo que compromete o bolso e a diversão, pois o dinheiro que seria utilizado para a diversão, ficou comprometido com produtos que poderiam ter sido comprados em outro momento, bem mais barato ou até em parcelas suaves no cartão de crédito.
Ontem percebi isso na praia quando vi alguns vendedores, no final da tarde, ainda com os seus produtos todos para vender. Era o caso dos vendedores de boias, saidinhas de banho e protetores solares. Eles estavam desesperados para vender tudo e faziam qualquer negócio para limpar os estoques existentes, pois o prejuízo estava escrito na cara de cada um deles.
Enquanto isso os vendedores de espetinhos, cachorro quente, caldinho, queijo de coalho, tapioca e demais itens de alimentação, incluindo o "espetinho de frango com bai com", o "camarão comeu morreu" e a "ostra engole tudo" estavam extintos da orla e isso era devido a fome que sempre acomete os banhistas quando estão tomando o seu banho de mar ou recebendo um pouco do sol ardente do verão.
O resultado disso era a sujeira infernal que tomava conta de todos os espaços da praia, fazendo com que os garis tivesses trabalho para deixar o ambiente mais limpo, pois de de um lado eles limpavam e do outro os rebeldes sujavam de novo, tornando a atividade um pouco inglória.
Pior do que perceber os produtos "boiando" nas mãos dos vendedores, era ver o lixo espalhado nas areias da praia ou "boiando" na água do mar, o que tornava o ambiente impróprio para uma boa convivência social e fazia com que um dos principais pontos turísticos da cidade, que é a Praia de Boa Viagem, ficasse cheio de interferências desnecessárias e que poderiam nem existir se a educação falasse mais forte e estivesse presente na consciência de cada um.
Eram restos de tudo: embalagens plásticas, alimentos, fraldas descartáveis, latas de bebidas, garrafas de vidro, brinquedos e tudo mais que você possa imaginar e que sejam inacreditáveis num primeiro momento. É a realidade de uma diversão tão comum a todos nós e que não damos o devido respeito e cuidado quando utilizamos tais espaços, seja em que local for, pois não é só por aqui que isso acontece e a generalização da falta de educação atinge todos os espaços onde possam existir visitantes mal educados e sem nenhuma consciência ambiental.
Boiou a nossa cara de sujos e também a responsabilidade com os espaços que são públicos e que precisam da nossa atenção para se manterem organizados e em plena capacidade de receber e acolher os visitantes e usuários costumeiros como eu. Por isso que prefiro ir caminhar logo cedo, pois o serviço de limpeza da prefeitura faz o seu trabalho na madrugada, deixando a areia limpa novamente e apta para receber novas quantidades de resíduos, deixados por aqueles que nem sabem ao certo o que é civilidade e demonstram um pouco do que são e de como as suas casas devem ser bagunçadas e sujas.
Talvez não...
Quem sabe em casa eles sejam mais organizados e façam essa desordem somente nos espaços que não são seus e cuja a limpeza esteja sob a responsabilidade de outras pessoas. Quando limpamos a nossa casa, damos valor à organização, ao esmero. Quando terceirizamos esse serviço, geralmente não temos consciência de como é trabalhoso manter limpo e organizado o que é muito fácil de ser sujado. Sujar é fácil, rápido e não requer especialidade alguma.
Limpar é bem mais complicado, pois determinadas imundícies são difíceis de serem removidas e ficam por muito tempo mostrando a nossa ineficácia como cidadãos comprometidos com nós mesmos, pois tudo que as cidades nos oferecem são para o nosso próprio uso e diversão.
Vivemos num mundo formado por resíduos e se não estivermos atentos ao seu destino, ficaremos boiando num mar de sujeiras e em pouco tempo não saberemos distinguir o que é limpo do que é sujo e inadequado.
O cuidado com as nossas sobras é de grande valor para nos tornarmos mais adaptáveis ao mundo, às pessoas e a nós mesmos.
Vamos em frente e bom início de semana...




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