segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Divinas

Assistir ao espetáculo teatral “Divinas” neste final de semana foi o melhor fechamento que poderia esperar para os dias conturbados que tive na última semana quando o início de algumas atividades no trabalho, assim como o ciclo de provas na faculdade estavam me tirando um pouco o sono e a paciência.
Encenado por Fabiana Pirro, Lívia Falcão e Odília Nunes, a peça teatral dá um show em todos os sentidos, seja na iluminação impecável, na sonoplastia ao vivo e precisa, no figurino deslumbrante e na maquiagem mais que convincente.
A estória de três palhaças, cada uma com suas características pessoais, mostra um pouco de cada um de nós, quando em certos momentos adotamos personalidades sonhadoras, místicas ou rancorosas. A personagem da Fabiana Pirro, chamada de “Uruba”, é avarenta, mesquinha e muito misteriosa, pois guarda dentro da sua bolsa e de si segredos que são explorados durante as apresentações. Com o seu jeito fechado, tem atitudes nada amigáveis e termina por causar um constrangimento às demais amigas, pois se apropria de um bem que não é seu, em busca da satisfação de um prazer carnal. Sua intenção não foi ruim, mas terminou sendo mal interpretada.
Sua personalidade é de acúmulo, de ganância, mas sem maldade.
Odilia Nunes e sua “Bandeira” dá um show de alegria e crendice, pois com o seu jeito moleque consegue mostrar ao público um pouco dos costumes que todos nós temos para resolver as nossas mazelas e doenças do corpo e da alma e dessa forma, simples e brejeira, nos ajuda a entender como o mundo interage com os nossos desejos e sonhos e como cabe a cada um de nós a interpretação e solução das nossas necessidades mais reais e necessárias.
Tem personalidade sábia, com muita simplicidade e perspicácia.
A palhaça mais ingênua e sonhadora é a que Lívia Falcão interpreta, cujo nome é “Zanoia”. Esta realiza contos incríveis e que sempre remetem à fantasia que vive presente em cada um de nós, seja com mais ou menos ênfase. O sonho é necessário, só não pode se tornar devaneio para que não fiquemos impossibilitados de realizar todos ou com isso termos ânsia desesperada de realizar tudo de uma só vez e com possibilidades limitadas. Ela nos mostra que o sonho é a fé e esta pode estar materializada em algo que confiamos e que nos faz ter a sensação de que tudo é possível se acreditarmos nos nossos desejos e pensamentos.
Esta palhaça tem personalidade, sonhadora, ingênua, cativante, feliz.
Ótimo espetáculo, mas que ainda tem um público aquém da sua majestade.
Precisamos dar mais valor ao que é feito com muito esmero e dedicação e que só nos traz sensações importantes para as nossas vidas.
Divinas de verdade...

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