quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Volta para o Mar, Oferenda...

O início do ano no comércio é uma agonia, pois as sobras do que restou das festividades de final de ano ficam quase de graça e os descontos assustam até os mais acostumados ao vai e vem dos preços. Além disso, as trocas são uma terrível lástima para os vendedores que agora passam os dias tentando agradar os clientes insatisfeitos e que ganharam algumas ofertas malditas durante os festejos de final de ano.
Em pouco tempo as lojas ficam parecendo o mar no primeiro dia do ano, pois as voltas do que foi rejeitado mostram uma outra cara das lojas, com estoques bem mais sucateados, sujos e cheios de defeitos, já que o moído dos produtos fez com que a procura pelo que é bom se tornasse uma agonia sem fim, comprometendo a paciência de muita gente que ronda as ruas e shoppings da cidade.
Eu preferi ficar livre destas oferendas neste ano, pois as compras baratinhas terminam se tornando um rombo no cartão de crédito e sendo vistas como um novo acúmulo de itens que serão guardados e usados em épocas mais oportunas, pois a nossa ânsia de comprar termina fazendo com que a nossa capacidade de utilização seja menor que o acúmulo de besteiras na nossa casa.
Ficamos administrando um mar de oferendas devolvidas, rejeitadas e pouco usadas, mas que comprometem a nossa renda e fazem com que a mistura de dívidas ainda não liquidadas do final de ano se juntem as que irão surgir, como os temíveis impostos que começam com o "I" de Irritantes e que deixam a nossa mente cheia de decisões precipitadas e que nem sempre favorecem o nosso bolso e capacidade de compra.
É melhor deixar que a maré vá consumindo aos poucos o nosso desejo desenfreado de compra e que a maresia funcione como um corrosivo para os nossos desejos por futilidades que não são necessárias e que podem aguardar o momento certo para serem adquiridas. A ânsia por ofertas nos faz ficar cada dia mais endividados, sentindo na pele as queimaduras de um sol intenso que nos prejudicou enquanto estávamos preocupados, apenas, em colocar o nosso barquinho furado para nevegar ao invés de usarmos um protetor solar de alto poder para bloquear a nossa fúria desenfreada pelas ofertas quentes do início do ano.
Vamos limpar a nossa praia e evitar os excessos. O momento mais adequado para ajustar as compras e as dívidas é o início do ano e isso já nos ajuda muito a ter meses mais fáceis, onde a maré baixa nos auxilia a pular as sete ondas da sorte com mais sabedoria.
É melhor pular as dívidas do que pular de preocupação...

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