sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Risco do Negócio

Para mim o risco do negócio está relacionado ao efeito surpresa que teremos quando vamos empreender alguma atividade e que de certa forma recebe várias influências do mercado e também das pessoas, que podem não receber bem a tal iniciativa e buscarem outras opções mais vantajosas para satisfazer os seus desejos.
É um risco que corremos sempre e fica muitas vezes difícil avaliar o sucesso de algo quando estamos num país que sofre muitas interferências regionais e sazonais, fazendo com que o desempenho seja diferente em vários Estados ou cidades. O que é sucesso e bombação aqui, pode ser um pé na jaca ali e isso é totalmente aceitável com as várias análises de mercado que podemos realizar e que nos auxiliam a pisar em terrenos mais férteis e menos arenosos.
Hoje fui para um audiência trabalhista na qual a motivação da demissão era uma Justa Causa por embriaguez no trabalho, na época da Copa do Mundo, quando um empregado se achou no direito de trazer uma lata de aguardente, beber e ainda causar um acidente. A juíza, na maior cara de pau, me falou que este fato se tratava de um "risco do negócio" e que a empresa não sabia quem contratava e, portanto, poderia ter no seu quadro vários empregados com distúrbios diversos e até doenças graves, já que muitas coisas não são detectadas nos testes psicológicos e exames admissionais. 
Ficou me incentivando a fazer um acordo com o reclamante e já adiantando o julgamento que faria, dizendo que o entendimento dela era que a justa causa não era aceitável já que ela considerava a embriaguez como uma doença. 
Eu simplesmente respondi: Excelência, não tenho intenção de fazer acordo porque mesmo sabendo do "risco do negócio" não posso ser conivente com ele e deixar que ele atrapalhe as atividades da empresa.

A CLT, no seu artigo 482, fala o seguinte:

  • Embriaguez – É considerada pelo consumo voluntário de álcool ou drogas, que leva a alteração psicológica do funcionário, inabilitando-o ao exercício da função, podendo colocar em risco a sua vida e a de colegas. 
Se o empregado causou um acidente, bebeu durante o exercício das suas atividades, descumprindo normas internas e ainda comprometendo o andamento do trabalho, vejo que se trata de um ato passível de demissão por justa causa, mesmo que seja considerado como doença. Algumas doenças, como a loucura, paranoia, síndrome do pânico e outras alterações mentais realmente não devem ser consideradas numa justa causa, mas para o caso do empregado do processo que citei, o fato mais relevante foi realmente a falta de compromisso para o trabalho, uma vez que ele não tem histórico algum de doença crônica causada pela embriaguez.
Respeito o direito de cada um achar o que quer e de ter o entendimento necessário sobre o que a lei fala, mas generalizar a ponto de considerar um ato desses como um "risco do negócio" já é demais. Risco do negócio é o absenteísmo, a variação cambial, a oferta de mão de obra, o mercado, a inflação, os cliente, fornecedores...
Safadeza para mim não é risco do negócio e tenho que enquadrá-la como tal, ou seja, com uma pena ajustada e que mostre a total falta de concordância do empregador com o fato, agindo conforme a lei orienta e determina nas suas diretrizes.
O ruim da justiça brasileira é que ela é tendenciosa, paternalista e alguns juízes terminam usando isso como subterfúgio para fugirem da sua responsabilidade de julgar fatos com maestria e neutralidade. Queria ver se fosse na casa dela se ela iria achar isso um risco do negócio...
Certamente não.
Faço meu trabalho com toda a determinação possível e só acato uma demissão por justa causa quando vejo que temos provas suficientes para realização da ação. Meu risco do negócio é o cuidado que tenho para que tudo esteja em ordem e dentro da normalidade que possibilite bons retornos financeiros e motivacionais, pois é disso que qualquer empresa precisa, mesmo com um risco alto e que por alguns momentos comprometa a sua perpetuação dentro do mercado.
A falta de compromisso, porém, é o pior risco de negócio que podemos encontrar, pois ele invalida atividades e faz com que situações de risco sejam geradas, as quais não podem ser acatadas com um olhar permissivo dos fatos sem que nenhuma atitude seja tomada. 
Garantir direitos é muito bom, mas cumprir deveres também é algo excelente e muitas vezes a justiça esquece disso, agindo de forma unilateral e trazendo somente para as empresas a responsabilidade de pensar em tudo e com isso sofrerem com a embriaguez momentânea das pessoas sem noção e que não assumem as suas devidas responsabilidades naquilo que executam diariamente.
Agindo com honestidade e comprometimento, o risco do negócio é zero.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Donos da História

Somos donos da nossa história e cabe a nós fazermos o melhor para que os acontecimentos possam surgir de uma forma atenuada, gerando ótimos resultados e nos mostrando que as nossas colheitas dependerão do nosso plantio de agora, onde todos os esforços possibilitem um desenvolvimento mais pleno daquilo que acreditamos ou pensamos saber bem.
Quando vamos moldando a nossa vida, temos que perceber que em nenhum momento ela será isolada e sempre contará com as contribuições diversas das pessoas que estarão ao nosso lado e farão de tudo para fazerem parte do nosso enredo, seja de uma maneira boa ou ruim.
O centro das atenções será sempre nós mesmos e faremos isso com mais cautela se estivermos atentos aos detalhes que nos possibilitam brilhar sem perder a humildade e calma nos momentos mais conflitantes e que precisam do nosso apego e vistoria constantes.
Quem iremos encontrar, as formas que adotaremos e os deslizes que acontecerão na nossa vida serão de grande importância para sabermos por onde estamos andando e como podemos encontrar saídas para as nossas diferentes formas de observação de um mundo que não para de evoluir e nem sempre nos traz os resultados esperados. 
Não são todas as horas que acreditamos nas nossas próprias atitudes e fazemos isso sem perceber que as escolhas feitas no passado foram as mais decisivas para que muitos acontecimentos pudessem ter efeito real e se tornarem parte de nós mesmos, onde cada nova visão fica mais clara e reflete positivamente em todas as nossas escolhas, ainda que controversas.
Não adianta fugirmos do nosso destino quando já o traçamos de forma bem determinada, seja plantando o que é bom ou semeando o que não presta. A realidade virá em breve e fará com que as desilusões e acertos da vida sejam vistos com maior ou menor intensidade, dependendo do nosso poder de comprometimento. As habilidades que temos hoje não são perenes e temos que nos preparar para os tempos de pouca força ou quem sabe baixa criatividade, por acharmos que já conquistamos tudo e que não precisamos de mais adaptações para vivermos bem e felizes com as nossas escolhas e frutos.
A carne do pescoço pode até ser pouca, mas é saborosa quando desfrutamos bem dela e fazemos desse pequeno prazer uma grande forma de evoluirmos com o que a vida tem de melhor e que pode ser aproveitado a todo momento sem que possamos ficar esperando pelo momento futuro oportuno, o qual muitas vezes nem acontece.
Se ficarmos esperando sempre o melhor momento para darmos início a nossa história de vida, teremos poucas chances de encontramos a felicidade e com ela aproveitarmos o que realmente há de bom e que não precisa de intermédios.
Com um texto primoroso, a peça teatral "A Dona da História" me deu inspiração para escrever hoje e cada palavra dita durante a apresentação mostrava como a vida pode ser bem melhor se estivermos nós mesmos presentes em cada momento, fazendo parte da nossa própria história e jamais deixando que a escrevam por nós.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Bocão

Resolver assuntos apenas com barulho não gera nenhum fruto, mas é essa a atitude que muitos tomam e terminam criando confusão ao invés de solução. Se não temos a intenção de resolver algo, não vale a pena ficar fazendo desordem e agonia desnecessária, pois não irão possibilitar para ninguém uma satisfação benéfica e que ajude a termos o melhor nas nossas vidas.
Quando queremos resolver algo, vamos direto ao ponto, buscamos a fonte do problema, achamos as interferências, sugerimos soluções, verificamos as nossas falhas e criamos meios de melhoria para que tudo seja solucionado. Se a intenção é outra, iremos somente gritar e abrir o bocão para que o ventilador coloque no ar todas as broncas existentes, de forma quebrada e bem mais difíceis de serem solucionadas em tempo hábil e com grande efetividade.
Estava escutando no rádio um programa que faz basicamente isso e vi que a intenção do radialista não era solucionar nada e sim criar um falatório desnecessário do que parece muito simples e que fica inflamado com a forma caricata dele falar e de distribuir a história para a sociedade. 
Eu acho que é um programa de comédia e não de utilidade pública.
É justamente isso que acontece quando tratamos assuntos relevantes com desdém, pois o que era sério termina se transformando em piada e servindo como uma forma de divertimento e não de comprometimento. Ao invés de ajudarmos a sociedade, terminamos atrapalhando e fazendo com que esta fique ainda mais complicada.
Assim também é na nossa vida pessoal e profissional, pois o que mais percebemos são pessoas que não querem resolver nada, mas sabem exatamente a hora de abrir o verbo e dessa forma contribuírem para a desgraça total de muitas situações simples e que se transformam em banalidades ou em problemas de pouca solução devido ao descaso e falta de apego ao que realmente interessa.
Solucionar é uma palavra chave para aqueles que querem mudanças, mas também pode ser uma farsa para aqueles que não buscam sair do lugar comum e só fazem barulho por muito pouco ou para mostrarem a sua total falta de competência para solucionarem coisas simples da vida e que precisam somente da nossa visão diferenciada em alguns momentos.
Tocar o trombone é bem melhor do que só colocar a boca nele, não é mesmo?

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Museu do Estado de Pernambuco

O Museu do Estado de Pernambuco reabriu suas portas após uma pequena reforma no seu acervo e depois de uma tentativa frustrada de conhecer o espaço, fui, neste final de semana, apreciar um pouco da arte que lá está, a qual retrata a vida aristocrática do período colonial através de móveis, objetos, retratos, pinturas, roupas, arte sacra e utensílios domésticos.
A casa serviu de moradia para o Dr. Augusto Frederico de Oliveira, o Barão de Beberibe. Lá encontramos vários ambientes, onde a riqueza de detalhes impressiona e faz com que tenhamos um retrato fiel de como a vida era cheia de requinte naquela época, desde os aspectos mais simples, como uma simples refeição, ou até pelas salas de lazer ou ambientes mais íntimos, que formaram os quartos da imensa casa situada na Avenida Rui Barbosa, no bairro das Graças, local onde ainda encontramos muitos casarões antigos, que retratam a vida que surgiu na cidade do Recife no período da colonização.
Muitos objetos merecem destaque, como a coleção de arte sacra e o acervo de pratos e talheres, em perfeito estado de conservação e postos em mesa de grande tamanho, em madeira de lei. Os móveis mostram cadeiras, mesas e o detalhismo em cada parte, pois as madeiras usadas para a sua composição receberam um tratamento diferenciado e foram caprichosamente esculpidas para proporcionarem além do conforto muita beleza.
Há uma grande coleção de vasos e objetos de louça, além das variadas porcelanas chinesas com todos os seus detalhes e coloridos inconfundíveis. Alguns lustres antigos iluminam os ambientes e terminam sendo o destaque em alguns ambientes, pois fazem com que o brilho dos cristais seja visto com mais intensidade e possa fazer a diferença em tudo que iremos observar.
O espaço é dividido em dois andares e visitar o acervo se torna algo incrível e com imensa satisfação, já que a história de Pernambuco e do Brasil é contada tendo como colaboradores os costumes e os diversos objetos que faziam parte da vida das pessoas naquela época tão promissora e que nos influencia até hoje com todas as suas formas e características. 
Anexo ao casarão, há o Espaço Cícero Dias, que apresenta exposições variadas e tem obras belíssimas do artista, as quais mostram a sua intensa e crescente capacidade de dar vida ao que parecia esquecido. Algumas telas parecem que falam conosco e o colorido de algumas delas nos faz ter a confirmação que o artista é sempre iluminado por dons divinos e cada um, do seu jeito, fazem bonito na história do mundo e comportam muitas realidades diferentes.
Gosto deste tipo de visita e ainda mais quando posso perceber que a conservação dos itens expostos foi realizada de forma adequada e nos trouxe grandes oportunidades de aprimoramento de conhecimentos e dos costumes, o quais são peças essenciais para que as sociedades se desenvolvam e criem seus próprios meios de perpetuação. Mais um lugar do Recife que ainda não conhecia, mesmo após 15 anos vivendo por aqui. Sempre passava em frente e nunca tive a chance de conhecer, pois até pouco tempo o espaço era aberto somente durante a semana e ficava fechado aos sábados e domingos, algo que limitava a visitação e fazia com que o prédio só fosse lembrado para servir de pano de fundo para as tradicionais fotos de formatura, prática que inclusive estava sendo feita neste último domingo,
Deixo aqui no blog algumas fotos do espaço para retratar um pouco do que falei e de como a sofisticação era bem presente naquela época, algo que ficou perdido com o tempo e que em muitos momentos só resgatamos nestes tipos de visita, onde o contato maior é com a vivência que se transformou agora em arte pura e com grande destaque.














































segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Dura na Queda

Elza Soares é realmente uma artista de talento infinito e mostra isso em cada show que faz, pois sua voz parece não desanimar mesmo após tanto tempo de estrada. A satisfação de ouvir o seu canto diferenciado é um prazer e faz com que o público fique ávido por cada pedacinho do que ela apresenta. 
O show que ela fez no Teatro de Santa Isabel, no último sábado, mostrou isso e fez com que a programação do Janeiro de Grandes Espetáculos fosse abrilhantada com a sua participação mais que especial, lotando dois dias o espaço e fazendo com que um dos teatros mais lindos do Brasil pudesse receber a diva da música, aquela que foi considerada a "Voz do Milênio" pela BBC de Londres.
Título bem merecido, ainda mais se observarmos sua trajetória, onde as grandes dificuldades foram o marco inicial da sua caminhada e a fizeram ser uma mulher dura na queda, como bem disse Chico Buarque na música que compôs em sua homenagem e que faz parte do CD "Do Cóccxi até o Pescoço", um dos trabalhos que considero o ponto alto da sua carreira, pois foi nesta época que ela modernizou o seu canto e pode novamente voltar a gozar de fama e prestígio no cenário nacional, já que por muito tempo esteve um pouco afastada do grande público.
Apesar de estar com dificuldades de locomoção, devido às cirurgias que fez na coluna, ela manteve sua voz intacta e mostrou que talento não desaparece tão facilmente e deve ser considerado em qualquer momento na vida de artistas reais e que não precisam de lapidação para brilharem e se tornarem iluminados.
Esta foi a quarta vez que vi um show da artista e confesso que a emoção se renova, pois mesmo com o passar do tempo Elza Soares continua sendo uma referência em voz, música e talento. Apenas num evento que ela fez em homenagem a Luiz Gonzaga, no Recife Antigo, que a apresentação foi ruim, pois ela errava muito as letras e não demonstrou preparo suficiente para a apresentação. O repertório não foi bem estudado.
Uma diva da vida real e com todas as suas características de pessoa humana que é, cheia de qualidades e falhas também. Como ela mesma disse: "Elza é um exagero"
Exagero mesmo, em tudo...












Celebration Tour no Brasil

Madonna veio ao Brasil agora em Maio, para encerramento da sua turnê, sendo motivo de muita agitação nacional, pois a artista é bem popular ...