quinta-feira, 24 de abril de 2014

Água é R$ 1,00, Pipoca é R$ 0,50

Essas são algumas frases que escutamos diariamente no metrô do Recife, pois agora ele deixou de ser meio de transporte para servir de abrigo de vendedores ambulantes, já que de tudo é comercializado um pouco, digo, muito, em grandes quantidades.
Os vendedores entram nos vagões com malas enormes carregadas de água, refrigerantes, salgadinhos, caça palavras, paçocas, pipocas, fones de ouvido, CD, DVD e muitos outros itens. Quando eles aparecem com as suas bagagens, pensamos até que são pessoas que estão viajando, mas eis que a surpresa acontece e eles terminam mostrando suas reais intenções, que é vender e circular de um lado para outro, atrapalhando o precário conforto das pessoas e causando um grande impacto sonoro, já que na ânsia de vender, cada um que grite mais que o outro.
Além dos vendedores, temos também uma legião de pessoas que utilizam os vagões para outros fins, como pedir esmolas e mostrar a todos as suas doenças, como se já não fosse o bastante estarmos num local apertado e fedorento, pois se tem uma coisa que as pessoas não fazem é tomar banho e logo cedo o cheio de suor impera em todos os ambientes.
Outro dia um homem passou com uma perna cheia de feridas dentro do vagão, em locais que ficava complicado respirar, quanto mais andar. Fiquei imaginando como ele conseguia, pois numa situação daquelas eu procuraria evitar a sujeira das ruas para não inflamar ainda mais o problema. Ele estava ali e terminava criando um mal estar em todos que seguiam viagem, já que era complicado ficar observando toda aquela nojeira na volta para casa. 
Como comer um salgadinho diante disso?
Talvez fosse melhor tomar um pouco de água para passar o enjoo, mas o vendedor já estava em outro local, gritando e pedindo passagem.
As proibições são muitas para os usuários do metrô, mas todas elas são descumpridas e aos poucos as estações e vagões estão se tornando uma extensão do centro da cidade, que a cada dia está mais invadido por camelôs, os quais tiram o local de passagem dos pedestres.
Algo deve ser feito e o metrô precisa de dias melhores. 
Entendo a necessidade de todos em ganhar a vida honestamente, mas critérios de uso dos locais públicos devem ser preservados, porque se continuar da forma como está, teremos que ir a pé para os nossos compromissos e deixar os vagões com os vendedores, mendigos, pastores e demais tipos que circulam diariamente por aí.
Nos ônibus isso era uma prática constante, mas diminuiu muito, embora a proibição seja clara para todos em avisos que ficam afixados nos coletivos. Isso não funciona nos metrôs, pois mesmo com os avisos, há o descumprimento e a fiscalização inexiste, fazendo com que a cada estação tenhamos uma surpresa e a certeza de que este meio de transporte é uma terra de ninguém, deixando de cumprir o seu papel social para ajudar os cidadãos na difícil tarefa de ir e vir nas grandes cidades, que sempre tem o seu trânsito piorado de todas as formas.
E aí, vai querer água ou pipoca?
Eu quero jujuba que é mais doce e posso mastigar com mais serenidade, já que determinadas coisas são difíceis de engolir.
Paciência, paciência...
1, 2, 3, 4, 5, 6...
Ajudem-me a contar até 10, pois não estou conseguindo.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Afogados

Ontem o Recife viveu um dia de caos, pois as breves, porém intensas chuvas, que caíram na madrugada fez com que todos acordassem com a ligeira impressão que a cidade estava parcialmente submersa e sofrendo mais uma vez com o efeito do descaso e das irregularidades que ocorrem nas melhorias que nunca são finalizadas e só causam problemas diversos quando a água aparece com mais intensidade.
Por ser uma cidade com um nível baixo, um mangue aterrado, Recife sofre muito com todas as interferências da chuva e termina se transformando num caos, onde o simples fato de sair de casa se transforma numa tarefa quase impossível. Quem mora em áreas que sofrem com as enchentes está sempre tendo que faltar ao trabalho ou esquecer os compromissos em dias mais chuvosos, pois se o calor da cidade incomoda, imagine ter que sair pelas ruas com a água batendo no joelho ou quem sabe até cobrindo tudo. Complicado isso, mas o que percebemos nas fotos que aparecem na internet são os inúmeros resíduos de lixo jogados na rua e que nestas horas se transformam em dificultadores para que a água flua com mais facilidade.
A maré estava cheia ontem e isso agrava ainda mais a situação, já que vivemos numa cidade cercada de rios e mar. Não há como escapar da água que está por todos os lados. 
O que pode ser feito é melhorar as canalizações, agilizar as intermináveis obras de esgoto que estão sendo feitas na cidade e tentar ao máximo educar as pessoas, o que é pior, pois se todos tiverem consciência sobre o descarte adequado do lixo, certamente muitos alagamentos serão evitados.
É uma vergonha passar por determinados locais que se dizem chiques e desenvolvidos nos dias de chuva, pois se transformam em rios de lama e dificultam a vida de todos os que precisam ter uma vida normal. A cada ano parece que a situação piora e eu fico imaginando como seria o caos na cidade, caso chovesse por dias seguidos. Acredito que nem estivesse mais aqui escrevendo este texto.
A minha rua não fica alagada, mas basta andar um pouco para ter sérios problemas de trajeto motivados pela chuva e nestes dias a preocupação é bem mais acentuada com a nossa mobilidade, já que os carros possuem dificuldade de circular e os ônibus não comportam tanta gente espremida.
Todos sofrem e alguns ficam com menos problemas para resolver, mas sempre há uma agonia muito grande em todos os sentidos nos dias de chuva, apesar de estarmos precisando dela para nos refrescar e fazer as nossas terras ficarem férteis e propícias para o plantio. Chovendo com cautela não há tanta desgraça, mas quando a danadinha insiste em derramar toda a sua água de uma vez só, é aflição que não acaba mais.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Sombra e Água Fresca

O cansaço que nos acomete por alguns momentos pode ser recompensado com um pouco de descanso e nada melhor do que encontrar um lugar adequado para isso. Saber como usar o tempo livre para o ócio é uma atividade que favorece não só o nosso corpo, mas também os nossos pensamentos, já que nesses momentos refletimos mais do que o normal e terminamos encontrando muitas saídas para o que achávamos ter perdido.
Se cada um aproveitasse bem o seu tempo e com isso evitassem os excessos desnecessários, seriam bem mais felizes na volta para a rotina, pois não teriam a terrível sensação de que estão mais cansados do que antes e que nenhum dos planejamentos foram realmente concretizados devido a nossa forma insistente de deixar de lado tudo que idealizamos e julgávamos ser de grande importância.
Entendemos isso bem, mas ainda deixamos que a maré do sufoco nos cubra e que as águas claras do prazer sejam sujas por ondas de muitas preocupações, quando na verdade elas não deveriam nem fazer parte da nossa vida e nem influenciá-la negativamente.
Num descuido qualquer, estamos envoltos novamente na grande maré das nossas vidas, onde nem sempre os acontecimentos são bons e merecem crédito. Se não estivermos com as energias renovadas, ficaremos com uma péssima sensação de derrota, quando esta foi influenciada mais pelos nossos desgastes do que pelos acontecimentos do mundo.
Voltar à rotina é bom demais quando estamos livres da poluição da mente e quando o nosso corpo descansou o tempo devido para ter novas influências e desafios. Prestemos atenção aos detalhes para que não deixemos nada nos inflamar e trazer de novo o fogo destrutivo e que só deixa cinzas nas nossas vidas. 
Lembrar da sombra e água fresca é uma forma de saber que existe vida após a rotina e que basta aproveitarmos da melhor forma estes prazeres que a vida nos oferece para que tenhamos grandes chances de sucesso e felicidade, algo que podemos conseguir com o nosso esforço e dedicação a nós mesmos e a tudo que podemos usufruir desta vida que só precisa de um pouco da nossa atenção e carinho.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Torcicólogo

Olhando para o alto e apreciando a beleza dos coqueiros, lembrei de uma palavra que minha sobrinha criou, chamada "Torcicólogo", que na língua infantil, significa "Torcicolo". Nada mais simples para uma criança que ainda está aprendendo a entender o significado das palavras e seus sons, mas muitas vezes encontramos adultos que falam errado por pura distração e na ânsia de falar bem explicadinho terminam criando palavras que não existem.
Quando eu perguntei para a minha sobrinha o que era "Torcicólogo" ela logo respondeu: 
"É uma dor que dá no pescoço quando a gente dorme de mau jeito."
Certíssima ela estava e a sua explicação foi simples, mas certeira, já que demonstrava exatamente o significado da palavra que ela queria dizer.
Falar corretamente é uma questão de costume e se deixamos que isso se torne um ato sem prática, terminamos criando palavras erradas no nosso vocabulário, passando por constrangimentos desnecessários nas horas mais improváveis. Crianças podem trocar o "R" pelo "L" e fazer feio nas conjugações verbais, mas aos poucos, com a educação que recebem na escola e pelo olhar atendo dos pais, vão ajustando estes deslizes e tornando a forma de escrever e falar mais adaptada à nossa complicada gramática. O que encontramos são pessoas que não aprendem direito as suas lições na escola e por pura falta de atenção aos pequenos detalhes da língua, caem em armadilhas terríveis e fazem da sua comunicação um terrível erro.
Não precisamos falar bonito demais, mas corretamente. Não vejo problema em falarmos os dialetos que cada região nossa possui e acho isso lindo e autêntico. Adoro falar com sotaque, usar palavras bem matutas e saber que todas elas estão corretas. Sempre gosto de saber o significado das palavras para não ficar pensando que algo é isso, quando na verdade é aquilo. 
É importante para todos nós sabermos exatamente o que queremos falar e, principalmente, o significado de cada frase que iremos ter o prazer de deixar por aí. A fala é a nossa chave mestra para o mundo, pois através da comunicação podemos fazer muitas coisas boas e a partir delas mostrar para todos que o nosso potencial de evolução é bem maior do que possamos imaginar.
Perceber as diferenças linguísticas e todas as suas nuances é algo fabuloso e só nos faz bem.

domingo, 20 de abril de 2014

Imbalança

Olha a palha do coqueiro quando o vento dá
Olhe o tombo da jangada nas ondas do mar
Imbalança, imbalança, imbalançar
Para você aguentar meu rojão
É preciso saber requebrar
Ter molejo nos pés e nas mãos
Ter no corpo o balanço do mar
Ser que nem carrapeta no chão
E virar folha seca no ar
Para quando escutar meu baião
Imbalança, imbalança, imbalançar
Você tem que viver no sertão
Para na rede aprender embalar
Aprender a bater no pilão
Ver relâmpago no meio dos trovões
Fazer cobra de fogo no ar
Para quando escutar meu baião
Imbalança, imbalança, imbalançar


Composição: Luiz Gonzaga / Zé Dantas

sábado, 19 de abril de 2014

Areia Vermelha

A Ilha de Areia Vermelha, no município de Cabedelo, cidade da região metropolitana de João Pessoa, é um local agradável para um passeio de barco, pois quando a maré está baixa um imenso banco de areia forma um espaço para o divertimento e contemplação do mar e das belas paisagens da região, incluindo, claro, a vista panorâmica de João Pessoa.
Para chegar até o local, basta seguir pela orla da capital paraibana e ir até a Praia de Camboinha. Lá vários vendedores oferecem o serviço, cada um com seu preço. É sempre bom pesquisar para evitar maiores surpresas, já que o turismo sempre tem o seu ar de exploração onde quer que ele exista. A travessia é feita em embarcações que comportam em média 100 pessoas e o tempo para chegar ao paraíso das águas claras é de aproximadamente 20 minutos. Um pouco de esforço é necessário para subir e descer dos barcos, principalmente para crianças e idosos, já que nem todos possuem mobilidade necessária para este tipo de atividade. É bom segurar bem os objetos pessoais para evitar que eles caiam ou sejam molhados pelo mar. 
Ao chegar na ilha, entendemos o porquê dela ter o nome "Areia Vermelha", pois sua terra grossa, oriunda de conchas e pedras que o mar tratou de triturar, possui coloração avermelhada e contrasta com o mar claro e cheio de piscinas naturais. O banho é quente, já que a água fica parada nos arrecifes e recebe muito calor do sol. Propício para crianças e adultos que evitam as altas marés e os perigos que ela pode apresentar. O que me chamou a atenção foi a consciência das pessoas que estavam por lá, uma vez que não vi nenhum lixo jogado na areia da ilha e notei também que todos tinham a preocupação de recolher o que geravam de poluição. Ainda bem, pois imagine a quantidade de sujeira que seria jogada na natureza se as pessoas não agissem dessa forma.
Muitas pessoas armam suas cadeiras de praia e sombrinhas dentro do mar e ficam contemplando tudo ali mesmo, nunca esquecendo da bebida gelada e dos aperitivos que sempre fazem parte destes momentos. Há também a prática de esportes radicais, embora a maioria das pessoas vá até lá para ter momentos de pura contemplação, onde as fotos e uma boa conversa ainda são os preferidos da vez.
Uma ótima opção de passeio para quem for até João Pessoa, já que o litoral paraibano é cheio de belezas e esta foi uma das que eu tive o prazer de conhecer hoje, neste feriadão de Páscoa.






sexta-feira, 18 de abril de 2014

Coisas da China

Quando pegamos um produto para ver a procedência, sempre encontramos a escrita "Made in China". É uma doença que toma conta dos diversos produtos que consumimos e que fazem parte do nosso cotidiano sem que muitas vezes tenhamos esta percepção. A qualidade nem sempre é o forte destes itens, embora possamos encontrar alguns de qualidade fabricados no país dos homens dos olhos puxadinhos e mal educados, pois quem já foi até a alguma loja de um chinês saberá o que estou falando.
Eles não possuem paciência para nada e acham que temos que levar o produto do jeito que está, sem escolher ou questionar nada. Se brincar eles tomam da sua mão a compra e ainda o expulsam da loja. Nem tudo é bonitinho nos itens que são fabricados na China e muitos deles são bregas de doer, com prazo de validade de alguns dias, somente. É incrível como as coisas são feitas com o intuito de não durarem nada ou apresentarem mil defeitos ao primeiro olhar. 
Sempre que vejo algo com a inscrição "Made in China" sinto um calafrio e imagino se o produto que estou comprando é ou não uma roubada. Já percebi isso em alguns sapatos que comprei ou em máquinas fotográficas que apresentaram defeitos após alguns usos, mesmo sendo estas de uma marca famosa e conceituada, já que além de fabricar o que não presta, a China também é usada para terceirizar as linhas de produção de muitas indústrias conhecidas e que tentam baratear os seus custos usando os trabalhadores daquele país, onde as margens de lucro se tornam maiores e possibilitam uma maior abrangência no mercado.
Era bom que este aspecto fosse visto nos preços, mas geralmente só encontramos produtos baratos naqueles de má qualidade, mas com muito apelo comercial, principalmente para as crianças, já que a quantidade de brinquedos e eletrônicos é uma febre. É bom ficar atento a tudo e não achar somente que os produtos vindo da China são ruins, pois os de outros países também apresentam esta doença. Hoje a qualidade deu espaço aos custos de produção barateados, nem que isso reflita num produto de pouca vida útil, cheio de imperfeições, e que apresente mau funcionamento em pouco tempo de uso.
O texto de hoje foi inspirado no cachorrinho da foto, um exemplar chinês legítimo e de pouca qualidade. Minha sobrinha chorou até ganhar o danadinho e vendo ele ligado tive a impressão dele ser um boneco de um filme de terror, já que quando está funcionando emite um som estranho, seguido de um latido e com duas luzes verdes nos olhos, lindamente adornados por um óculos de sol em formato de coração. Como se isso fosse pouco, a roupa dele é de paetês, combinando com o chapéu num lindo modelito fashion "Made in China".

Celebration Tour no Brasil

Madonna veio ao Brasil agora em Maio, para encerramento da sua turnê, sendo motivo de muita agitação nacional, pois a artista é bem popular ...