domingo, 26 de janeiro de 2014

Museu de Arte Sacra de Olinda

Muitas vezes tinha tentado visitar o Museu de Arte Sacra de Olinda, mas ele sempre estava fechado nos finais de semana, dificultando minha passagem por lá. Finalmente tive esta oportunidade nesta semana e pude comprovar todos os ambientes do local, que é muito simples, mas tem vários exemplares antigos de imagens e objetos sacros.
A mistura das obras antigas, do século XVIII, são mescladas com itens mais atuais e que mostram a forma brejeira do nosso povo demonstrar a sua religiosidade, pois não é difícil encontrarmos representações bem nordestinas da vida de Cristo, especialmente do seu nascimento, que tem uma sala exclusiva e mostra muitos cenários diferentes para o mesmo fato.
O Museu de Arte Sacra de Olinda fica no Alto da Sé e recebe movimento intenso nas suas redondezas, pois o local é bem visitado pelos turistas que desejam apreciar a bela visão das cidades irmãs, Olinda e Recife, com sua mistura de modernidade e rusticidade, bem presente nos edifícios modernos e nos casarios coloridos que enfeitam as ruas das cidades.
O museu oferece acesso gratuito, onde as obras podem ser vistas nos dois andares que resgatam um pouco da história religiosa do nosso Estado e também do Brasil, pois todas falam um pouco do período do descobrimento e as influências que recebemos de vários povos que aqui vieram para plantar as suas tradições.
Sempre estranhava o museu só ficar aberto de segunda a sexta e agora percebo como a população ocupada perdia com o seu fechamento nos finais de semana. Muitos detalhes interessantes da nossa cultura podem ser conferidos no local e enriquecerem ainda mais o passeio na cidade histórica, que nos dias de folga conta com impressões da arquitetura, culinária e lojas de artesanato. Os museus da cidade de Olinda ficam praticamente todos fechados nos finais de semana e cito como exemplo o Espaço Tiridá, Museu do Mamulengo, que traz vários e ricos exemplares dos nossos bonecos, usados em festejos e em peças teatrais.
Quem está de férias ou tem folgas diferenciadas, pode até conferir, mas a grande maioria dos mortais fica de fora dessa regra e termina não aproveitando o que realmente é bonito de ser ver e que enriquece a nossa cultura. Cada espaço da cidade de Olinda traz grandes momentos da nossa história e mostra como a nossa paisagem é bela e atrativa para os olhos inquietos e mais atentos, que não deixam de lado um bom passeio e nem uma boa dose de aula de história.
Indico a visita e também o registro das belas obras que o local nos apresenta. Olinda fica mais intensa com a sua história unida ao Museu de Arte Sacra, onde cada detalhe talhado em madeira ou em outros materiais, agiganta os nossos olhos para a beleza sem fim da cultura e da diversidade de formas e cores que o homem é capaz de realizar.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Dona do Dom

Dona do dom que Deus me deu
Sei que é ele a mim que me possui
E as pedras do que sou dilui
E eleva em nuvens de poeira
Mesmo que às vezes eu não queira
Me faz sempre ser o que sou e fui

Eu quero, quero, quero, quero ser sim
Esse serafim de procissão do interior
Com as asas de isopor
E as sandálias gastas como gestos de um pastor

Presa do dom que Deus me pôs
Sei que é ele a mim que me liberta
E sopra a vida quando as horas mortas
Homens e mulheres vêm sofrer de alegria
Gim, fumaça, dor, microfonia
E ainda me faz ser o que sem ele não seria

Eu quero, quero, quero, é claro que sim
Iluminar o escuro com meu bustiê carmim
Mesmo quando choro
E adivinho que é esse o meu fim

Plena do dom que Deus me deu
Sei que é ele a mim que me ausenta
E quando nada do que eu sou canta
E o silêncio cava grotas tão profundas
Pois mesmo aí na pedra ainda
Ele me faz ser o que em mim nunca se finda

Eu quero, quero, quero, quero ser sim
Essa ave frágil que avoa no sertão
O oco do bambu
Apito do acaso, a flauta da imensidão


Composição: Chico César

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Reflexos

Alguns reflexos são vistos nas nossas vidas com mais intensidade quando paramos para analisar os nossos feitos e como eles poderiam ter sido melhorados para amenizar determinados efeitos nocivos, uma vez que nem sempre agimos pensando no que fazemos, mas tão somente pelo desejo momentâneo de conseguir algo em curto prazo e sem nos preocuparmos com o futuro que ainda virá.
O corredor é longo e precisamos percorrê-lo com mais ou menos luminosidade, mas com determinação e sempre buscando ótimos frutos que nos ajudem a saborear as melhores decisões e dessa forma conseguir obter todos os nutrientes para uma vida saudável e cheia de esperanças.
A luz que favorece a nossa visão não é muito difícil de ser obtida e basta que sejamos atentos e vigilantes para verificar as grandes mudanças que podem ocorrer na nossa vida se estivermos dispostos a mudar para melhor e sempre com muita disposição. Alguns pontos podem ficar mais claros, outros mais escuros, mas num dado momento tudo fica bem visível e podemos entender perfeitamente os propósitos que a vida nos guarda e só nos mostra quando realmente estamos preparados para liar com eles.
Os espaços obscuros da nossa trajetória podem estar bem definidos ou não, mas sempre existirão e farão com que possamos realizar determinadas escolhas para o nosso bem e também para a construção de melhores formas de existência, onde cada novo momento refletirá em obtenções melhoradas da vida e das pessoas que estão ao nosso lado.
Podemos até perder a noção da realidade em alguns instantes, mas nada se compara ao doce sabor de viver bem e confiante nos nossos destinos, ainda que pareçam árduos e sem chance de uma boa visualização das soluções que podem estar bem perto dos nossos olhos, mas obscurecidas pela nossa cegueira momentânea ou eterna.
Reflexos de vida existem sempre e cabe a nós fazer com que este brilho seja nosso amigo e nos proporcione ótimas formas de realização e sabedoria, onde nem tudo está perdido para aqueles que desejam ter momentos de mais plenitude em tudo que realizam.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A Nossa Casa

"A nossa casa é onde a gente está, a nossa casa é em todo lugar" 

Refletindo um pouco sobre a música "A Nossa Casa", do Arnaldo Antunes, lembrei da forma como deixamos o nosso cantinho com características únicas e como cada espaço, ainda que dentro do nosso pequeno quarto, tenha a nossa cara e conte um pouco da nossa história em cada objeto ou parede corroída pelo tempo.
A casa onde moramos é o local que nos oferece melhores chances de sobrevivência dos males do cotidiano e onde buscamos abrigo para afastar da nossa vida todos os medos e inseguranças que sentimos, já que dentro dela o mundo para e podemos ter a certeza de que estamos realmente cativos de uma segurança que jamais será encontrada em outros lugares.
Pintamos nossa casa com a cor que melhor nos favorece, mesmo que a mistura muitas vezes a deixe pequena demais e com os ambientes sem combinação. Observo muitas vezes as pessoas que moram nas ruas e como elas também encontram uma maneira de deixar aquele vazio com um ar de moradia, já que terminam arrumando a calçada, ponte ou espaço abandonado de uma maneira diferenciada e única para as suas vidas.
Algumas casas são simples, mas possuem paisagem e localização privilegiadas, algo que nenhum edifício mais caro jamais poderá ter, ainda que com muito esforço do crescimento desmedido das construtoras que ocupam cada espaço das cidades e nem sempre percebem os estragos que irão causar.
Quem tem uma casinha para morar pode dizer que está rico de possibilidades, uma vez que a cada dia os aluguéis só aumentam de preço e fazem com que a habitação se torne algo complicado de se manter ou conservar num padrão mais digno e pouco dispendioso, pois em certos momentos achamos que tais palavras são totalmente incompatíveis e impossíveis de acontecerem de forma unida e bem associada.
A nossa casa é o que melhor podemos oferecer para o nosso conforto e saibam que cada momento nesse paraíso de tranquilidade e segurança é a chave de uma felicidade que não acaba nunca e só nos faz cada vez mais realizados e plenos de muita alegria.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Turista que é Turista...

Turista que é turista se veste de forma misturada, nada combinando, e com chapéu comprado nas ruas da cidade que está visitando. As mulheres ousam mais e colocam algumas flores ou conchas para enfeitar o chapéu. Turista verdadeiro tira foto com os personagens principais do local ou quem sabe nos painéis que deixam a cabeça viva e o corpo morto, estático, incompatível com o seu tamanho.
O turista come de tudo e não se preocupa com a dor de barriga que toda aquela mistura pode causar, uma vez que o mais importante é provar os doces e salgados, tudo de uma vez, que são oferecidos. Turista gasta com besteiras e compra lembrancinhas para todos os amigos, mesmo que eles não guardem com tanto carinho o mimo recebido e terminem esquecendo numa gaveta com a desculpa de não gostar da cor ou ser impedido pela religião de usar ou expor tal objeto.
Turista gosta de protetor solar. Muito protetor, sem espalhar direito, deixando aquela aparência engraçada, mas protegida dos raios que insistem em queimar as suas peles, geralmente brancas e vindas do exterior. Turista, especialmente aqueles que não possuem praia na sua cidade, tomam banho de mar a qualquer hora e fazem questão de ficar com uma marquinha bem vermelha, seja da sunga ou do biquini, que muitas vezes é comprado na cidade que visitam para dar um pouco mais de vivacidade ao momento, com todas as suas flores e cores no tecido.
Turista sabe dançar todos os ritmos, do samba ao frevo, passando pelo maracatu e terminando no tango. O engraçado é que ele aprende tudo em segundos e basta um olhar rápido para estar dominando, ou quase isso, todas as manifestações culturais da região. 
Turista também gosta de tirar foto de tudo, de oferecer ajuda quando vê alguém em apuros, pelo simples motivo de se sentir mais integrado ao contexto e de ter a sensação boa de estar fazendo parte daquele momento, muitas vezes único nas suas vidas. Antes o turista era tido como rico, mas hoje o turista está mais popular e os pacotes turísticos, parcelados em muitas vezes, possibilitam a visita cada vez maior de pessoas em locais que antes somente os mais abastados financeiramente podiam conferir.
Turista gosta de variedades, de camisas florais, de chapéus de palha, de comidas exóticas, de praia, de gastar...
Certas vezes me vejo assim: turista dentro da minha própria cidade.
Já fui parado várias vezes por vendedores que me confundiram com um visitante de longe, mas o sotaque inconfundível acabou com toda a impressão e vi, nitidamente, a decepção nos olhos deles. O ruim de ser confundido com um turista é que muitos tentam me vender os produtos com preços superfaturados, um mau costume de muitas cidades e que Recife não poderia estar isenta, já que nem todos os vendedores pensam na satisfação do visitante e sim no lucro desmedido, fazendo com que a variação de preços seja bem visível em alguns locais.
É bom ser turista e conhecer tudo de uma forma divertida, observadora e muito pitoresca, onde a preocupação não está no tempo e nem nos gastos, mas na satisfação de fazer parte de cada momento que nos é apresentado.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Engorda?

O que engorda realmente não são os alimentos verdadeiros, mas sim os que a industrialização descontrolada nos vende diariamente, mascarados com carinhas inocentes e com tabela nutricional aquém da realidade, já que nunca é informado ao certo o teor de nutrientes e de calorias. 
Se comprarmos um pacote de biscoitos e observarmos a infame tabela, perceberemos que ela geralmente corresponde a 02 ou 03 biscoitos e não a sua totalidade. Se soubéssemos o quanto os pacotes de alimentos são assustadoramente recheados com gorduras e açúcares, ficaríamos pensando duas vezes antes de comprar a bomba que nos engorda.
Se tomarmos um café da manhã adequado, consumirmos no almoço somente o que é nutritivo e jantarmos de forma moderada, nosso peso fica estável e não há necessidade de ficarmos pensando constantemente nas variações da balança e no crescimento das nossas gordurinhas localizadas e também no KLB (Ki Lapa de Bucho).
Eu emagreci muitos quilos somente evitando refrigerantes, o vício do rodízio de pizzas, pipocas fritas no óleo e muitos outros itens errados que estava consumindo de forma descontrolada e em horários errados.
Agora tenho horário para comer, só como o que é bom e não passo fome, já que continuo comendo de tudo, com moderação e de forma humana, deixando o meu lado animal para o passado.
A única coisa que cortei totalmente foi o refrigerante, mas o resto estou comendo normalmente, seja em menores porções ou de vez em quando, mas comendo.
O que acaba conosco é o olho grande e a maneira desmedida de ficar achando que tudo é possível em relação aos alimentos. Não pratico exercícios físicos e meu sedentarismo é quebrado quando, algumas vezes, faço uma trilha, ando de bicicleta ou caminho no meu bairro.
Mudei a alimentação e passei a comer feijão, arroz, carne, ovos, pães, frutas e verduras diariamente, mas sempre me preocupando com a quantidade e tomando as devidas preocupações para não engordurar a comida indevidamente com os molhos variados, que terminam sendo os nossos vilões maiores.
Sim, como bom Pernambucano e Nordestino, como farinha, queijo de coalho, queijo de manteiga, inhame, macaxeira, cuscuz, carne de sol, charque e tudo que é bom do nosso cardápio regional. Continuo comendo meus doces caseiros e afastei de mim os chocolates, que são os que só trazem gordura ao invés de energia. Na verdade nunca gostei muito de chocolates e o único que me atrai é o Ouro Branco, pois lembra os presentinhos que minha mãe me dava quando ela viajava.
Estou treze quilos mais magro e me sentindo bem assim. Taxas controladas e satisfação também, pois muitas roupas que nem faziam mais parte do meu cotidiano, agora estão precisando de um ajuste. Elas ficaram grandes demais para mim. O espelho agradece.
O efeito sanfona atinge muitas pessoas, mas não é nada complicado contê-lo e basta ter um pouco de paciência e determinação para que tudo seja visto de uma forma diferente e possa refletir no nosso corpo e no bom funcionamento de todos os nossos órgãos, que de tão sobrecarregados com os nossos excessos, ficam dando sinais de indisposição e envelhecimento precoce.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Madonna dos Cachorros

Cada cidade tem suas figuras pitorescas, ou seja, pessoas que habitam as ruas e são dominadas pelo alcoolismo ou loucura e que terminam sendo parte integrante de um contexto que não faria sentido algum se não contasse com a presença delas.
Em Garanhuns tínhamos alguns tipos conhecidos, como "Bode Cheiroso", "Mochila", "Zefa Doida"...
Na minha infância tive muitos sustos com eles e sempre me perguntava como era possível viverem tanto tempo naquela total falta de higiene e sem a devida alimentação. Ainda hoje isso me intriga profundamente. É uma descoberta que a ciência ainda não explicou e meu professor sempre dizia que quando o "Bode cheiroso" morresse queria o fígado dele para estudo. Era inexplicável uma pessoa beber tanto e ainda viver. 
Aqui no Recife, a mais famosa é a "Madonna dos Cachorros", que mora nas ruas do Recife Antigo e anda com a sua legião fiel de cães, de todos os tipos e cores. Com uma mistura de bebida e loucura, ela se tornou figura conhecida, pois sempre está nas rodas de animação do local, usando as suas roupas nada comportadas, independente do clima e da ocasião. 
Madonna é parte de uma realidade que acontece muito nas ruas das cidades, pois sempre haverá pessoas que moram nas ruas e fazem desta realidade o seu modo de viver, seja de forma honesta ou não. Alguns caem na marginalidade e terminam atormentando a vida das pessoas, já que praticam pequenos assaltos e causam medo por onde passam. No caso de Madonna, ainda não vi falarem que ela praticou algum delito, exceto algumas situações onde insiste em tirar a roupa e fazer os seus shows particulares, com muita música, nas redondezas do centro da cidade.
Seus seguranças particulares são os cachorros que não largam um minuto da sua dona e a acompanham para onde ela for. Ali o exemplo de fidelidade é bem claro, pois aquela mulher só oferece carinho para eles e nada mais, sendo este o ingrediente maior do apego que possuem entre si.
Algumas pessoas reclamam que ela maltrata os bichos, mas eu nunca vi isso acontecer. Ela cuida do jeito que pode e como a sua sanidade permite. É complicado cobrar muito de uma pessoa como ela, pois o nível de ajustamento mental está comprometido pela vida e pela bebida.
Ninguém sabe ao certo se ela é bêbada ou doida. Talvez seja as duas coisas, mas algo é bem certo: Madonna tem suas doses de realidade e de humanidade, pois consegue demonstrar em muitos atos que podemos ser importantes mesmo quando a maioria da sociedade nos ignora. Ela consegue destaque por onde passa e algumas vezes a encontramos dormindo nas ruas, tranquila e agarrada aos seus inseparáveis cachorros, que a cada dia crescem em número e gordura, pois a pouca comida que tem é dividida com todos eles, num ato de total desapego e caridade, algo que nem todos praticam com ela. 

Celebration Tour no Brasil

Madonna veio ao Brasil agora em Maio, para encerramento da sua turnê, sendo motivo de muita agitação nacional, pois a artista é bem popular ...