sábado, 15 de dezembro de 2012

Zélia Mãe Joana


Você que saia da linha
Você que perca o juízo
Levo fama de Zélia boazinha
Mas mato se for preciso

Você que faça gracinha
Na festa, banque o Narciso
Eu corto suas asinhas
Te expulso do meu paraíso

Invoco a minha pomba gira
Eu rodo mais que a baiana
Incorporo a Ziquizira
Em plena Copacabana

Preparo e ponho um despacho
A esquerda da sua cama
Coloco o seu nome embaixo
Tá bacana?

Se der um só passo em falso
Ou olhar pra alguma piranha
Te arranco fígado, baço
Sou Zélia moderna, não Zélia banana

Te enforco no cadafalço
De dama eu viro tirana
Sou Zélia nervos de aço
Mas odeio doidivanas

Você que saia da linha
Você que perca o juízo
Levo fama de Zélia boazinha
Mas mato se for preciso

Você que faça gracinha
Na festa, banque o Narciso
Eu corto suas asinhas
Te expulso do meu paraíso

Eu te cozinho no tacho
Tempero com molho de galinha
Te quebro as pernas e braços
Transformo sua farsa em drama

Te faço virar bagaço
Chafurdo você na lama
Portanto sossegue o facho
Desse teu exu pé-de-cana

Eu te abro de cima em baixo
Entranho em suas entranhas
Com este punhal de aço
Vai nessa de Zélia Mãe Joana (Vai nessa!)

Você que saia da linha
Você que perca o juízo
Levo fama de Zélia boazinha
Mas mato se for preciso

Você que faça gracinha
Na festa, banque o Narciso
Eu corto suas asinhas
Te expulso do meu paraíso

Vai nessa de Zélia Mãe Joana, vai!
Vai nessa!
Quem avisa mui amiga é!


Composição: Zélia Duncan

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Sabores Regionais

Alguns sabores regionais são inesquecíveis e em cada cidade do Brasil podemos encontrar diferenças que fazem com que as delícias que conhecemos possam ser modificadas com temperos bem característicos da região ou simplesmente pelas mãos habilidosas das cozinheiras que tomam conta dos bares e restaurantes que encontramos, mesmo que estes sejam simples e até com pouca estrutura.
Alguns sabores simples que encontramos são verdadeiras especiarias e fazem com que nunca esqueçamos do deleite que por alguns momentos tivemos e muito satisfez a nossa fome momentânea e que foi suprida por elementos deliciosos e cheios de sabor.
Encontramos diversas formas de fazer uma tapioca, um arrumadinho, de assar um peixe...
Enfim, cada um tem o seu jeitinho de preparar o que os nossos olhos já comem de imediato, satisfazendo não só a nossa fisiologia, como também os nossos bolsos, pois em lugares simples e com comida boa, o melhor de tudo é o preço, que termina sendo uma bagatela, se comparado aos locais mais turísticos, que só exploram sem alimentar direito, devido às pequenas porções de pura enrolação que são servidas.
Minha avó tinha um ponto só dela de cozinhar galinha e de assar banana na brasa, com casca e tudo. Eu comia a iguaria com farinha e confesso que o sabor adocicado da banana era algo sem comparação. Ela me dizia com muita simplicidade que o segredo era deixar a banana ficar bem madura e depois colocar ela para cozinhar no bafo, nas bordas do fogo de carvão. Eu sempre tentei fazer, mas ou queimava ou ficava crua. Nunca fui capaz de fazer algo tão simples. O café que ela fazia não era nem coado e era o melhor de todos os sabores, algo sem comparação. Minha mãe herdou alguns dons culinários e gosto muito da carne de sol que ela faz, pois fica crocante e com o sal no ponto, além, claro do ovo frito que fica com um sabor do além e faz com que o colesterol de qualquer um fique nas alturas, já que comer um só é totalmente impossível. Meu pai gostava do ovo frito com cebolas e comia um prato cheio, com farinha e café. Delícia.
Quem não teve essas comidas na infância não sabe o que estou falando e pode até estranhar a grande valorização que dou aos sabores tão regionais que encontramos, mas digo que estes são os melhores, os mais saborosos, os que carregam mais amor e competência no tempero.
Uma vez, quando criança, estava sem querer comer direito e minha mãe na sua sábia alma materna me disse que teria um prato delicioso para que eu comesse e me trouxe algo que até então não tinha provado, mas era óbvio demais. Comi e pedi para repetir o delicioso prato de pão francês crocante com um pouco de leite e pitadas de sal. A mistura simples fez o menino abusado para comida mudar a sua opinião e encher a barriga, matando a fome daquele momento. 
Hoje não tenho frescura com comida e sempre digo que a comida que eu não gosto é a "Comida Ruim" e esta só existe quando não estamos com fome, pois não há tempero maior do que esta sensação do nosso corpo e que faz com que todos nós esqueçamos as restrições que temos e também as calorias que iremos ganhar degustando um belo prato bem preparado e com sabor inigualável.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Alinhamento

Alinhar procedimentos não é tarefa fácil, mas quando se tem uma equipe participativa isso se torna mais atingível, pois a sintonia é maior e as pessoas se entendem mais facilmente, criando um clima de cumplicidade e de afinidade que nenhuma maré ruim será capaz de destruir.
A maioria das pessoas imagina que o alinhamento precisa de muitas comunicações para dar certo, mas não é bem assim... O sucesso desta palavrinha tão necessária na vida de cada um de nós depende muito da observação e também da prática, uma vez que somente desta forma as atitudes vão ficando cada vez mais parecidas, gerando um ambiente satisfatório e propício para o sucesso. 
Ninguém irá trabalhar totalmente igual aos outros da equipe, mas poderá haver uma similaridade tão grande que ficará difícil para alguém de fora encontrar um erro ou um desajuste que faça a casa cair ou ser invadida por ratos que só querem se aproveitar dos momentos de descuido para corroer o que já foi feito de bom e que nem sempre é visto pelas pessoas mais desatentas e soltas, que buscam somente na crítica sem fundamento uma forma de destilar a inveja e a falta de reconhecimento.
Um olhar já diz tudo e uma equipe organizada saberá o significado destas palavras a qualquer momento, quando ficarão em posição de alerta e já preparados para os imprevistos que a vida nos apresentar. Estava observando estes dois cachorros da fotografia e foi justamente eles que me inspiraram a escrever este texto, pois o alinhamento perfeito deles para contemplar o entardecer me chamou atenção. 
Ficaram em posição organizada e ambos receberam os raios solares, sem brigas e sem desentendimentos. Assim trabalha uma equipe coesa, pois sabem exatamente o momento de realizar as ações e de se apoiarem de uma maneira que não cause transtornos ao próximo, recebendo em troca disso o sucesso mútuo e não individual. Quando encontramos numa equipe pessoas que falam mal dos seus colegas, reclamam demais e não sugerem nada, podem ter certeza de que esta pessoa é nociva e não merece ser chamada de membro de um grupo.
Ela é na verdade uma pedra no caminho que tira o sol dos outros e faz com que somente ela tenha brilho e possa desfrutar dos melhores momentos da vida, independente dos artifícios que usou para conseguir os seus feitos, que na maioria das vezes são desonestos e cheios de intrigas.
Alinhar o olhar, as atitudes e os pensamentos são essenciais para todos nós e não importa onde estivermos, pois se nos acostumarmos a fazer disso uma prática cotidiana, tenham certeza de que o sucesso será o menor resultado que iremos encontrar, já que benefícios bem maiores surgirão.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

De Leve...

A leveza não é sinônimo de ausência, mas sim de competência. 
Estar comprometido com as atitudes leves do cotidiano e também com a efetivação de cada uma delas nas nossas vidas, é essencial para que possamos enxergar melhor os detalhes que cada uma delas pode esconder e que muitas vezes passam despercebidos aos nossos olhos inquietos e nem sempre atentos ao que é necessário.
Enxergamos o que é mais denso e deixamos de lado detalhes importantes que serão válidos para as nossas vidas e contribuirão de forma definitiva para as nossas escolhas e percepções do mundo, onde encontraremos a melhor opção a ser tomada e também as diferentes maneiras de ver o mundo e de resolver nossas broncas, sem que isso se transforme numa agonia sem fim.
As pessoas que não conseguem implantar a leveza nas suas vidas, terminam acumulando muitos resíduos dentro de si e num dado momentos não conseguirão nem andar mais por aí, devido ao peso que carregam e que se transformou num fardo de grande densidade e preocupação, uma vez que para que este se torne menor e mais leve, dependerá da percepção e análise de cada um de nós, que nem sempre estamos atentos aos detalhes mais pequenos e nos preocupamos somente com o que aparentemente representa muito significado e que, geralmente, se materializa em dinheiro e bens materiais.
A vida da gente é cheia de altos e baixos e se alguma pessoa não está preparada para lhe receber com a leveza necessária, deixe que o mundo mostre para ela o que ela precisa aprender, pois em algum momento das nossas vidas seremos cobrados pelos resíduos que deixamos ou repassamos para os outros sem perceber que estávamos, na verdade, fazendo mal ao nosso semelhante que podia nem estar preparado para tal situação.
Se repassarmos leveza, certamente ficaremos recebendo momentos bons, flutuantes...
Ao contrário acontece quando só destinamos o que nos aflige e pesa nas nossas costas, com a vã esperança de que os outros serão os guardadores de tão árduo fardo, que é mais nosso do que dos outros. Sejamos uma pena, leve, mas detalhada, atenta aos inúmeros momentos da vida e como eles contribuem para o nosso sucesso.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Persistência

Muitas vezes observo alguns evangélicos realizando trabalhos de louvor e leitura bíblica nas ruas do Recife e o que mais me chama a atenção é a persistência deles e a falta de interesse das pessoas em ouvir o que está sendo dito e o que intensifica esta sensação é a forma como eles abordam as pessoas e terminam criando uma imagem louca e transtornada de si mesmos, pois quando uma pessoa os observa tem a plena convicção que eles não são pastores e sim loucos.
Loucos, não por levarem o nome de Deus para as multidões, mas por realizarem um trabalho de forma aleatória, gritante e por muitas vezes irritante, já que escolhem os lugares mais movimentados e barulhentos para montarem suas caixas de som e realizar seus cultos que não possibilitam nenhuma audição correta do que realmente desejam passar.
Eles cantam, fazem leituras, gritam, mas ninguém entende nada, seja pela mistura de sons ou pela péssima qualidade da aparelhagem que levam consigo. Terminam não fazendo um trabalho eficaz e passam a imagem de alienados, quando deveriam ser vistos como pessoas iluminadas e que estejam comprometidas com a divulgação das palavras de Deus.
Outra coisa que me chama a atenção é a forma de se vestir, pois com o imenso calor que faz no Recife, eles ficam montados, de terno preto e gravata e terminam virando alegorias sem adaptação nenhuma à realidade que encontramos na rua. Esta fotografia que registrei no último domingo mostra um pouco disso, pois este homem cantava, gritava, apontava para as pessoas e ninguém dava importância, pois ele não parecia ser normal e os indícios de loucura eram mais visíveis do que os que geralmente encontramos nas pessoas que estão no mundo para nos orientar e nos dar um rumo, como deveria ser o caso dele.
Virou atração dos turistas que ficavam registrando fotos pitorescas e comentando entre si aquela visão tão diferenciada numa tarde de domingo, num local movimentado e cheio de pessoas de todas as crenças. Esse senhor ainda estava bem na fita e pior são os que ficam na Pracinha do Diário, já que fazem barulho de verdade e ninguém termina entendendo nada do que eles falam e cantam. Em meio às prostitutas que habitam o lugar, eles fazem a festa e todos que passam não compreendem se aquilo é um culto ou uma forma louca e sem sentido de exaltar o nome de Deus.
Todos nós temos nossas crenças e isso é bem característico de um país democrático como o nosso, mas a forma de realizar as nossas atividades deve ser vista e analisada para que não pareça loucura ou imposição forçada. A persistência deve existir na fé, na obediência à Deus e não nos devaneios e na forma exagerada de realizar algo tão bonito e que termina virando comédia nas mãos de pessoas despreparadas e que não entendem o seu papel verdadeiro dentro da religião que escolheram e terminam virando uma piada sem graça nenhuma.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Navegando com Ronaldo Fraga

A exposição "Rio São Francisco" em cartaz no Santander Cultural, no Recife Antigo, reativa a vivacidade que há tempos o espaço tinha perdido, pois as outras mostras eram tímidas demais e não esbanjavam tanta beleza quanto esta. Em todos os ambientes, podemos notar a versatilidade e originalidade do estilista Ronaldo Fraga que mostrou o rio com todas as suas influências, seja no artesanato, nas lendas, na culinária e, especialmente, pelo seu povo, já que as comunidades ribeirinhas foram o foco do trabalho que abriga 04 pisos inteiros.
Em alguns deles podemos ter a sensação de estar realmente navegando pelo Rio São Francisco, pois alguns elementos cênicos repassam ao visitante a sensação de poder pescar ou de poder descansar um pouco em um espaço de relaxamento. A cantora Maria Bethânia emprestou sua voz para uma instalação e os poemas que recita nas gravações fazem referência ao Velho Chico, que é tão querido e necessário para a vida do Brasil e, em especial, do Nordestino.
Não sei se foi proposital, mas a imagem de São Francisco, cercada de carrancas, foi criada com um olhar sombrio, raivoso, como se o Santo nos desse uma bronca por tratarmos tão mal o rio que leva o seu nome e traz tanta riqueza a todos que deles usufruem e tiram sua subsistência.
Alguns artesanatos de artistas locais estão à venda e todos retratam um pouco da crença e da religião, que é tão presente e não pode ser esquecida nas histórias que escutamos. Uma grande estante mostra os variados tipos de cachaça que são encontrados nos bares que ficam às suas margens e uma ala também faz referência às lendas que permeiam o rio e como elas já fazem parte do imaginário de todos nós.
As histórias de viagem, os relatos, as especiarias, as danças, as festas, enfim, tudo que o Rio São Francisco tem para nos oferecer e que por muitas vezes não prestamos muita atenção. Quem já teve a oportunidade de ver o Rio São Francisco e de navegar por ele sabe o que estou falando, pois a sua riqueza cultural é muito grande e agrada a todos nós, nordestinos, que somos os seus maiores admiradores.
Comer pilombeta* frita com um pouco de farinha em Penedo, no Estado de Alagoas, cidade que é banhada pelo rio, foi uma das lembranças que guardei e que até hoje me deixam com saudade. Andar de balsa ou nas pequenas embarcações e ir até o outro lado do rio, na cidade de Propriá, são lembranças que irei guardar para sempre e farão com que o Velho Chico seja sempre lembrado nas histórias da infância que tive e que muito contribuíram para a meu conhecimento.
A exposição me fez navegar por este rio de lembranças boas e me fez muito bem...
 
Pilombeta - Peixe típico do Rio São Francisco. Apelidado por este nome devido ao seu aspecto magro e comprido.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Estarrecer

É de estarrecer
É de estarrecer
Estar e ser, em inglês, é a mesma coisa
Assim como você, pode ser e não estar
Você pode estar e não ser
Estar e ser
Parece a mesma coisa, mas não é
De estarrecer
To be or not to be, here and now
Eis a grande questão
Ser passado, ser futuro, ser presente
Ser humano, estar sendo, ser amado, ser seguro, ser ausente
Ser cigano, estar vivendo
To be happy, to be free
Estar em você, ser em mim
To be or not to be
Para Shakespeare and me
É de estarrecer
Estar e ser em inglês é a mesma coisa
Estar e ser
Parece a mesma coisa, mas não é
De estarrecer?


Composição: Itamar Assumpção

Celebration Tour no Brasil

Madonna veio ao Brasil agora em Maio, para encerramento da sua turnê, sendo motivo de muita agitação nacional, pois a artista é bem popular ...