terça-feira, 9 de outubro de 2012

Decadência

A decadência pode surgir de várias formas, mas acredito que a mais formal e costumeira seja a verbal. É incrível como as pessoas se expressam mal, usam palavrões o tempo todo e terminam falando de forma grosseira quando na verdade nem precisava falar tanto. Sinto que as pessoas estão perdendo o costume de conviver entre si e terminam usando as palavras desencontradas e sujas para omitir a sua condição mais importante como ser humano, que é a comunicação.
Através da comunicação, podemos nos sentir mais soberanos e não decadentes, pois se temos o dom de realizar boas conversas e com elas conseguir bons frutos, saibam que já encontramos a chave para o sucesso e prosperidade. 
Não adianta usarmos as palavras somente para mostrar a nossa revolta sem sentido ao mundo e dessa forma distribuir ainda mais problemas e atritos com quem nem merece tal tratamento. É agindo de forma decadente que nos colocamos na lama, nas fezes, à margem da sociedade e sem chances de retorno.
Decair é sair de um patamar de destaque e saibam que isso é sempre fácil de acontecer se não estivermos preparados para encarar a vida com olhos determinados e com planejamentos confiantes no nosso futuro e também nas nossas ações, que se não forem dosadas e articuladas de maneira agradável, causarão grandes problemas a nós mesmos e principalmente ao mundo que interage conosco, já que nenhum de nós tem o poder de viver sozinho a vida toda, sem depender de ninguém. 
Não há estrela tão decadente capaz de realizar isso...
Estrelas que brilham ajudam os outros, conversam, planejam, confiam e contribuem em todos os momentos da vida para que todas as ações tenham sentido real e não somente incertezas que nos mostram ainda mais o fundo do poço e das nossas atitudes. Nem sempre a decadência mostra o fim e pode ser o início de uma nova história, cheia de aprendizados, conquistas e com caminhos mais certos e bem diferentes dos trajetos que foram usados no passado para construir uma vida sem sentido e irreal.
Vamos ser estrelas ascendentes, sempre... 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Gambito Budapeste

O novo álbum da Nina Becker, agora em parceria com o Marcelo Callado reflete o espírito da cantora e mostra arranjos mais incrementados e menos suaves do que os álbuns anteriores, quando o ar intimista dava o tom às músicas. São treze faixas bem escolhidas e bem cantadas, ora por um, ora pelos dois. A voz da Nina fica mais evidente na maioria das faixas e o Marcelo aparece também para dar uma maior sonoridade ao álbum que foi lançado neste mês e coroa mais uma vez a carreira desta cantora que tem feito boas promessas musicais no cenário brasileiro.
Nina tem voz suave e que combina com músicas sutis. Ela não ficaria bem lançando um CD com músicas mais intensas e o seu estilo está bem adaptado ao que ela nos mostra e que fica bem evidente em cada faixa. Destaco a faixa "Blues", que é um canto de amor embalado numa rede, lembrando as canções nordestinas pelo contexto da letra que é bem brejeira e cheia de chamego.
Quando fazemos algo em parceria com alguém, temos que saber que a união deve fazer a diferença e não mostrar as diferenças. É isso que percebemos neste trabalho, pois as vozes parecidas dos dois cantores são o ponto forte de cada faixa e contam com a ajuda de arranjos suaves, com toques eletrônicos e bem sonorizados, onde as cordas são as mais presentes e em algumas faixas a bateria também mostra o seu fundamento.
A música "Futuro", num significado reverso, lembra as canções de antigamente e que falavam de mudanças, seja pelo tom retrô dos arranjos ou pela forma de cantar. Esta faixa é totalmente cantada pelo Marcelo Callado e demonstra a afinação que ele tem para acordes mais dissonantes e com alardes grandiosos.
É um CD para escutar com calma e a compreensão e gosto não aparecem num primeiro momento. É preciso entrar no clima das sonoridades e com isso ir percebendo cada letra para entender que o universo criado pelos artistas é bem maior do que possamos imaginar e esperar. Adoro novidades musicais e fico satisfeito quando encontro trabalhos tão bem elaborados e que conseguem unir forças musicais tão boas como foi o caso da dupla Nina e Marcelo. As competências musicais dos brasileiros não param de ter possibilidades e este trabalho só mostra isso com toda a intensidade que temos acesso.
Escutem, degustem, saboreiem o CD e façam bom proveito dele.

domingo, 7 de outubro de 2012

Sabedoria Popular

Gosto de fotografar os grafites nas paredes e também as frases escritas, pois algumas vezes nos mostram verdades que todos nós precisamos escutar de vez em quando e que são necessárias para o nosso desenvolvimento e reflexão.
Não gosto quando vejo as paredes com inscrições sem significado e que não nos acrescentam nada, só mostrando a falta de compromisso das pessoas com a preservação das ruas e monumentos. Não me agrada também quando tais inscrições estão em locais impróprios e que fazem parte do roteiro turístico da cidade. É melhor que os artistas usem os muros abandonados para mostrar a sua arte e dessa forma não desgastar o que temos de tão bonito na nossa cidade, pois se formos perceber bem algumas das frases que encontramos vão de encontro com a atitude tomada, pois se falam de igualdade, de educação e de atitude, como podem estar em locais tidos como preservados?
Outro dia vi um monumento no centro do Recife todo feito de mármore e todo sujo de tinta. Quando isso acontece numa parece simples, uma pintura resolve, mas numa área com mármore, fica mais difícil a remoção e sempre sobram os resíduos que dificilmente abandonarão as suas moradas.
Se a sabedoria popular nos ensina tanto, deveria ser mais inteligente para perceber que o compromisso com a organização e limpeza das nossas cidades também é nossa e não somente da prefeitura. Nas ruas encontramos vários indícios de que a sabedoria popular está em baixa e isso é refletido nos papeis jogados no chão, na invasão de espaços públicos para instalação de barracas clandestinas de comércio, fixação de cartazes em locais preservados e deterioração do patrimônio comum e público que todos nós temos acesso.
Fui fotografar uma imagem sacra que ficava em frente a uma igreja e percebi que ela estava cheia de cartazes e isso era algo que exalava vergonha ao povo do Recife que fala tanto, abre o bocão para reclamar de tudo, mas mostra tamanha inadequação aos princípios básicos da civilidade.
Isso é visto em muitos lugares e não é só característica do Recife, mas sinto que a desordem é bem maior e sem controle por aqui, uma vez que o costume está falando mais alto do que os reais direitos que cada um tem de invadir os espaços e sujar o que não é seu como forma desumana de mostrar uma raiva que não acrescenta nada e termina só frutificando mais ações de vandalismo e marginalidade.

sábado, 6 de outubro de 2012

Guerreiro Menino

Um homem também chora, menina morena
Também deseja colo, palavras amenas
Precisa de carinho, precisa de ternura
Precisa de um abraço, da própria candura

Guerreiros são pessoas, são fortes, são frágeis
Guerreiros são meninos, por dentro do peito
Precisam de um descanso, precisam de um remanso
Precisam de um sonho, que os tornem perfeitos

É triste ver meu homem, guerreiro menino
Com a barra do seu tempo, com o nosso ideal
São frases perdidas num mundo, por sobre seus ombros
Eu vejo que ele sangra, eu vejo que ele berra
A dor que tem no peito, pois ama e ama

Um homem se humilha, se castram seus sonhos
Seu sonho é sua vida e vida é trabalho
E sem o seu trabalho, o homem não tem honra
E sem a sua honra, se morre, se mata

Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz...

A música é do Gonzaguinha e está cada dia mais atual e verdadeira...


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Dança dos Estacionamentos

Em determinados lugares do Recife é melhor ir de ônibus, nem que isso se torne algo cansativo e demorado, uma vez que o nosso transporte urbano está cada dia pior e desorganizado, pois estacionamento é o que não existe e se fica complicado circular, imagine encontrar uma vaga para estacionar. A foto acima é um exemplo apertadinho de um estacionamento de motos na rua e se elas passam esses apuros, imagine os carros que são maiores e ocupam mais espaço.
É uma tremenda agonia encontrar um lugar, mas o pior, às vezes, é sair de lá, pois dependendo da hora, o trânsito tem aumentado significativamente e feito com que algumas passagens fiquem obstruídas e sem chance alguma de serem ultrapassadas. Sem contar as inúmeras surpresas que encontramos na volta como os arranhões ou pequenos roubos dos malas de plantão.
Atualmente muitas empresas estão migrando para locais onde possam ter um estacionamento mais adequado ou estão investindo na construção de edifícios garagem quando há espaço no terreno para isso. Uma das primeiras coisas que perguntamos quando alguém nos chama para algum evento é se há estacionamento e essa preocupação reflete o cuidado em ter garantida a sua ida e volta de forma tranquila e sem atropelos. Uma vez quase perdi o horário de um show porque fiquei rodando à procura de um local para estacionar, mesmo tendo saído de casa com muita antecedência. Algumas vezes fico observando as pessoas circulando em determinados espaços confinados e fico imaginando como eu me comportaria naquela situação.
Não me comportaria. Eu evito.
Eu prefiro me poupar destes atropelos chegando mais cedo nos locais ou evitando ir dirigindo, pois é um item a menos para me estressar e me tirar do sério. Detesto o trânsito, mas o fim do mundo é estacionar no Recife. É mais fácil encontrar cabelo no sapo do que uma vaga para estacionar e isso não é realidade somente dos bairros mais movimentados e podemos encontrar isso em toda a parte.
Até em Garanhuns este problema tem crescido e no centro da cidade a disputa por uma vaga é algo que ultrapassa os limites da paciência e da tolerância. Não dá para ser feliz com o trânsito de hoje e muito menos com a ausência dos estacionamentos.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Pedidos e Ofertas

Fui na Basílica de Nossa Senhora do Carmo esta semana e não pude deixar de fotografar um altar que estava cheio de oferendas e bilhetes numa imagem que mostrava Jesus com as chagas da crucificação. Era interessante perceber a materialização da fé das pessoas em pequenos pedaços de papel e também em forma de dinheiro. Uma forma simples e bem menos organizada da que vi na TV esta semana, quando um pastor anunciava a página dele no Facebook e pedia para que os fiéis deixassem lá os seus pedidos para que ele pudesse interceder junto a Deus. O pior não foi isso, foi a modernidade da forma de arrecadar dinheiro, pois ele mostrava o site da igreja e ensinava os "irmãos" a informar o valor da doação e emitir um boleto para pagamento na rede bancária. Rápido eficiente e rentável.
O que algumas igrejas fazem com os seu seguidores é algo desumano e compromete os princípios religiosos que todos nós conhecemos tão bem. A igreja necessita de renda, claro. Se não for assim, como irá manter as instalações, a limpeza, o aluguel e tantas outras contas que surgem. O que deve ser verificado é a forma como as ofertas são realizadas, pois acho condizente que seja de forma voluntária e não imposta. Quando alguém tem sua renda pessoal invadida por algum pastor safado que pede o comprovante de renda para calcular o dízimo é caso de polícia e de enganação e deveria ser denunciado às autoridades policiais. Muitas pessoas recebem uma verdadeira lavagem cerebral e comprometem até o sustento da família em prol da igreja impostora. 
A forma como vi na Basílica de Nossa Senhora do Carmo é maneira correta de receber doações, pois não havia imposição e nem avisos que remetessem ao tema. Tudo que estava ali era doado voluntariamente e o que percebi era que existiam mais bilhetes do que dinheiro. A forma como o homem se dirige a Deus é interessante, pois alguns abominam os personagens históricos tidos como Santos e outros não fazem isso. Maria é um exemplo e está personificada em várias santas e todas elas representam um dom da mãe misericordiosa que ela foi e que por algumas igrejas é tida como inútil e totalmente desnecessária a sua veneração. Cada um entende como quiser e religião é algo que realmente não se discute.
Queria comentar aqui no blog somente sobre a doação voluntária que deve existir em qualquer associação de pessoas, inclusive nas igrejas. Se permitirmos que esta seja livre de vícios, de pretensões e de trocas, seremos mais felizes e satisfeitos na hora em que praticarmos a ação. Todos nós precisamos doar um pouco de nós em algum momento da vida, seja com algo material ou somente espiritual. Não importa, o que vale é a maneira como fazemos e que surtirá efeito necessário para várias ações que a igreja ou qualquer outra entidade poderá tomar em prol dos seus seguidores.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Doce, Azedo, Picante e Amargo...

Alguns sabores que encontramos na feira livre são tão diferentes que nos colocam para pensar de onde surgiram e como a nossa natureza é rica de especiarias, raízes, folhas e outros elementos que podem dar um toque diferente num alimento ou até curar algumas doenças que surgem no nosso corpo. Andando um pouco pelas feiras livres, encontramos de tudo e cada item pode suprir muitas das nossas necessidades, sejam elas alimentícias ou espirituais.
É incrível a variedade de situações que encontramos nestes lugares e no Recife não poderia ser diferente, pois um passeio pelas redondezas do Mercado de São José nos proporciona grandes atrativos, sejam eles com cara de fruta, ervas, raízes, imagens, objetos, minerais, serviços, artesanato e muitas outras coisinhas que podem fazer o bem e mal, dependendo da utilidade que destinarmos.
Quando estava andando pelo centro, recebi vários anúncios de políticos, mas o que estava disputando com eles eram os anúncios das cartomantes, mães e pais de santo que por ali existem e que prometem realizar de tudo, inclusive fechar o corpo do homem. 
Fechar o Corpo = Proteger dos Males.
Isso é reflexo das inúmeras barracas que vendem utensílios para realização de rituais do candomblé e também para oferendas aos orixás de devoção. Encontramos enxofre, sal grosso, pimenta vermelha, rosas amarelas, rosas brancas, rosas vermelhas, búzios e imagens dos mais diversos orixás, sendo Iemanjá e Oxum as mais queridas.
O brasileiro é bem misturado nos aspectos da alimentação e da religião e de alguma forma eles se misturam, principalmente nas religiões de origem africana, quando geralmente as celebrações são realizadas com muita comida, como forma de agradecimento e oferenda.
Outra coisa que me chamou a atenção é a imensa variedade de frutas, verduras, peixes e carnes. Tudo com o preço similar ao do supermercado e com a higiene bem abaixo dos padrões necessários, pois a maioria fica exposta ao sol e sem refrigeração alguma. Mesmo assim as pessoas compram que é uma beleza. Outra febre é a venda de produtos que estão perto de vencer e neste rol encontramos até iogurte sendo vendido nas ruas sem o menor acondicionamento térmico. Um perigo mortal para os intestinos mais frágeis.
Eu gosto do centro da cidade para passear, para ver as situações ou para comprar alguma oportunidade surgida durante o passeio, mas não tenho paciência de ficar pesquisando coisas para comprar, já que o calor infernal e o desconforto das ruas cheias nos dá uma sensação de que não vale muito a pena sair para fazer feira e ainda ter a agonia de transportar tudo para casa. Quem mora pertinho, tudo bem, mas para quem tem que se deslocar para outros bairros, não vale a pena. Os estacionamentos não existem e fica muito complicado ir e vir naquelas ruas estreitas e lotadas de situações que as deixam ainda mais pequenas e intransitáveis. 
Gosto de observar tudo, pois é incrível as possibilidades que são criadas ali. Podemos tratar de vários assuntos, captar várias imagens e passar o dia todo andando que ainda não teremos condições de fazer uma análise detalhada do local. Seremos um grão de areia num mundo de possibilidades.
Mesmo assim, o passeio é interessantíssimo para quem vai com os olhos dispostos a conhecer o mundo e com ele descobrir muitos significados e variações de cores, texturas e sabores.

Celebration Tour no Brasil

Madonna veio ao Brasil agora em Maio, para encerramento da sua turnê, sendo motivo de muita agitação nacional, pois a artista é bem popular ...