quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Viver Pernambuco

Viver o Pernambuco que todos nós gostamos é bem mais do que morar numa cidade qualquer do Estado; é participar das suas manifestações culturais, que são muitas; é conhecer cada ponto da sua cidade, os bons e os ruins; é ser um morador atuante e consciente dos seus direitos e deveres; pois se assim não for, ficaremos cada vez mais alienados e sem chances de mudar algo que depena da nossa intervenção.
Conheço pessoas que moram aqui no Recife desde o nascimento e não conhecem direito nem o bairro que moram e muitas vezes nem visitaram alguns locais que já existem há anos e são amplamente visitados e divulgados na mídia. Acho isso isolamento cultural e pessoal, algo que não faz bem e não dá bons frutos, pois deixa qualquer um com um aspecto desinformado demais, beirando a alienação.
Outro dia marquei com uma amiga num local para nos encontrarmos, no centro do Recife, e ela simplesmente se perdeu porque não sabia onde ficava o prédio que falei e que estava localizado na avenida mais movimentada da cidade e perto de milhões de outros lugares de fácil acesso. Quando finalmente nos encontramos, a sensação que tive foi que ela era uma cega num deserto, sem noção alguma de onde ir e também do que existia na sua frente.
É engraçado quando isso acontece, pois não são fatos isolados e muitos padecem deste mal, que é não conhecer a sua terra e os locais que ela oferece para visitação e diversão. Outro dia fui com uma amiga no Paço Alfândega, um shopping daqui, inaugurado há mais de 10 anos, e para minha surpresa ela me perguntou: É novo? Inaugurou quando? 
Como tinha intimidade com ela, esculhambei e mandei ela se orientar e deixar de ser alienada. Ela riu e disse que nem sabia da existência do local e que realmente era surpresa para ela tudo aquilo. Assim também acontece com outras situações e muitas vezes percebo como não damos a real importância ao que diariamente está ao nosso lado e que faz parte da nossa vida, já que dependemos desta terra para viver, trabalhar e morar.
Viver intensamente Pernambuco, ou qualquer lugar que seja, é tarefa nossa, dos moradores. Temos que ficar atentos a tudo, principalmente quando as mudanças são radicais demais e afetam as nossas vidas de uma maneira gritante. Não podemos deixar que o tempo passe e que as cidades evoluam sem o nosso olhar atento e preocupado.  

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Apoteose do Frevo

O encerramento do Carnaval do Recife não poderia ter sido realizado de uma forma mais bonita e emocionante, pois no palco da Praça do Marco Zero mais de 100 músicos deram adeus ao carnaval, saindo logo após em um arrastão pelas ruas do centro do Recife e mostrando que a nossa festa é sem limites de animação, pois mesmo com o dia claro, as pessoas não arredavam os pés do centro histórico, cantando e dançando como se fosse o início de uma festa que já durava 04 dias.
Mesmo tombando de sono, fiquei um pouco mais e não me arrependi pelo esforço adicional, pois o que vi foram pessoas animadas e um show de luzes e cores num palco grandioso e digno da festa que a prefeitura promoveu tão bem este ano, pois em cada polo de animação, os detalhes eram vistos com cuidado para que tudo pudesse satisfazer os foliões que estiveram brincando e frevando durante os dias da folia carnavalesca.
Percebei neste dia que a alegria deve ser compartilhada, que os sonhos devem ser vividos e que uma força extra sempre está dentro de nós quando um sentimento maior nos move para realizar o que muitas vezes parecia impossível ou pouco acessível.
Podemos realizar tudo e dessa forma criar energias para dias melhores e mais inspirados, onde cada lembrança vivida é válida para enaltecer ainda mais os sentimentos que temos e, assim, despejar um pouco deles na avenida que clama por alegria e celebração.
Nunca fui muito de brincar o carnaval e sempre achava uma festa bagunçada demais, pois nunca tinha me dado o prazer de observar com outros olhos o que todo mundo já enxergava, menos eu. Com a minha máquina fotográfica, registrei muitas fotos deste carnaval. E foram muitas...
Registrei a criatividade, a ousadia, a descontração, a falta de noção, os detalhes, a simplicidade, a necessidade, a tradição, a adoração e, principalmente, aquilo que chamamos de carnaval e que nem sempre tem significado real e preciso.
O carnaval pode ser do jeito que acharmos melhor e o meu foi especial, pois vi tudo que queria, acompanhado de amigos e amigas animadas e com o sentimento de descontração que era necessário para que um grupo pudesse conseguir a glória necessária para se tornarem reis da folia e com isso guardar na memória e no coração todos os momentos que jamais ficarão esquecidos e isolados num lugar escuro e sem brilho.
O carnaval é colorido, brilhante, cheio de diferenças...
É assim que ele se torna único e o Recife pode se orgulhar de ter uma festa realmente espetacular, tradicional, moderna e cheia de ritmos e cultura.
Fogos para a festa e para o povo que aproveitou cada momento desta data tão especial e aguardada pelos pernambucanos. O nosso carnaval é realmente madeira que cupim não rói.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Celebridades e Bonecos

Em Pernambuco, quem é celebridade se transforma logo em boneco gigante para brilhar no carnaval de Olinda e isso é algo que a cada ano cresce e se torna mais constante, pois o desfile na terça-feira de carnaval é algo muito aguardado pelas pessoas que vão até o centro histórico para brincar nas ruas estreitas da cidade patrimônio da humanidade.
Logo cedo cheguei e fiquei num ponto estratégico, perto da prefeitura, e vi praticamente todos os blocos desfilarem, anunciando a passagem daqueles que são os reis do pedaço e que encantam a todos com o seu jeito meio estranho de rodar e movimentar seus enormes braços, que podem até causar algum acidente se forem mal direcionados pelo condutor que os carrega. O pior é que vi alguns condutores tomando cerveja enquanto carregavam os bonecos e isso era algo preocupante, pois se uma criatura daquelas ficasse embriagada, poderiam cair e sofrer algum dano sério devido ao tombo que poderiam levar.
De qualquer forma não vi nenhum acidente, só alegria, muita alegria. Ao todo foram quase 100 bonecos desfilando ao som das orquestras de frevo que não paravam de tocar e faziam o meio de campo entre os blocos tradicionais e foliões. Em Olinda, podemos curtir um pouco de tudo, desde o frevo, maracatu, samba e também desfrutar da visão alucinógena das fantasias que são mostradas todos os dias e que demonstram a criatividade e ousadia do nosso povo que espera o ano inteiro pelo carnaval e não deixa nenhum foco de animação vazio e sem a folia tradicional que nos fez conhecidos no Brasil inteiro. 
O carnaval de Olinda é melhor pela manhã, pois é quando há os desfiles e as pessoas ainda não se cansaram de mostrar as suas fantasias e maquiagens que ainda não derreteram com o sol e suor.
Aliás, este ano o sol e a quantidade de pessoas foi exagerada, pois era tanto calor e tanta gente circulando pelas ladeiras, que a cidade ficou ainda mais pequena para tanta gente  andando no centro histórico. A melhor maneira de brincar é encontrar um local para ficar vendo a folia e aproveitando cada momento da festa que não tem hora para iniciar e nem acabar, pois são tantas atrações e movimentações que fica até complicado saber como é possível caber tanta gente em tão pouco espaço e mesmo assim as pessoas ainda se sentirem felizes e satisfeitas com tantos apertos e movimentações, seja de pessoas, ambulantes, blocos, catadores de latinhas e tudo mais que o carnaval nos proporcionar e que possa encher os nossos olhos com tanta informação visual.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Tudo e Tanto e Tanto e Tudo

Tulipa Ruiz apresentou o show do CD "Tudo Tanto" este ano no carnaval do Recife e tive a oportunidade de assistir a apresentação, que foi realizada no Paco Mangue, dentro do Festival Rec Beat. O evento reuniu um número bem significativo de pessoas e o que pude perceber é que a cantora está bem mais performática no palco e que as músicas que no CD parecem gritantes demais, ao vivo se tornam momentos de grande diversão e destaque, como foi o caso da música "Víbora" que teve figurino e iluminação especiais. 
Ela cantou algumas músicas do CD "Efêmera", mas o repertório teve o predomínio do novo álbum e o mais gostoso de se ver era que as pessoas participavam muito das músicas, cantando a todo o momento e  fazendo com que o show ficasse bem interativo e divertido para todos. Eu gostei muito, seja pela qualidade das músicas apresentadas, seja pela beleza dos efeitos luminosos que foram idealizados para o local, onde nos intervalos grandes projeções tomavam conta da parede do Paço Alfândega e faziam com que o carnaval fosse lembrado de uma forma maravilhosa e muito intensa. O som do palco era perfeito e o local não poderia ser melhor, pois ficávamos às margens do Rio Capibaribe, recebendo um pouco da brisa que vinha do mar, evitando que o desconforto térmico fosse maior, já que o calor estava intenso e nos deixava inquietos com as altas temperaturas que aumentavam a cada música executada e que colocava todo mundo para dançar.
Antes da apresentação da Tulipa Ruiz, vi o show da banda colombiana Monsieur Periné que cantou uma série de músicas em estilo folk pop e que agradou a todos e colocou todo mundo para dançar. Foi uma bela surpresa para a noite que teve ótimos momentos musicais, sejam eles nacionais ou internacionais.
O carnaval de Pernambuco é uma mistura sem fim de ritmos, deixando o que é tradicional bem diversificado e fazendo com que as opções de divertimento sejam muitas e possam atingir vários públicos que visitam a cidade nesta época e curtem cada momento da animação que não para, ficando impossível acompanhar todos os seus momentos. É preciso escolher o que queremos apreciar, pois ninguém é onipresente para aproveitar tudo que é oferecido.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Reciclando o Carnaval

A folia, para muitas pessoas, no carnaval, é bem diferente e o que mais encontramos nos pontos de animação, são os catadores de latinhas que não deixam um exemplar sequer nas ruas e, de certa forma, terminam limpando um pouco a sujeira inevitável que acomete todas as cidades que festejam o carnaval. Sobram as garrafinhas PET de água e refrigerante, que não devem possuir valor comercial significativo e que atraia a força destas pessoas, inclusive crianças, para catar e juntar sacos enormes para que sejam vendidos ao preço de aproximadamente R$ 2,00 o quilo.
Em alguns momentos eles até atrapalham um pouco o fluxo de pessoas, pois a disputa é tão grande pelas latinhas que terminam gerando alguns atritos ou até sujando as pessoas quando passam com os seus sacos enormes e cheios de resíduos de cerveja, refrigerante e lama. Neste carnaval, vi pessoas de todas as idades e o que me chamou a atenção foi a grande quantidade de crianças e idosos que fazem a prática na ânsia de ter uma fonte de renda adicional e com isso melhorar a qualidade de vida daqueles que estão sem emprego fixo e padecem das necessidades diárias que todos nós temos.
Procurar uma latinha no chão é algo impossível e em alguns momentos nem precisamos descartar, pois a frequência com que eles passam nas ruas é tão grande que já descartamos nos próprios sacos que são utilizados para acumular quilos e quilos de um material valioso e que merece atenção da sociedade para que possamos evitar o acúmulo de resíduos no meio ambiente. Atualmente mais de 95% das latinhas de alumínio produzidas são recicladas e isso é muito bom, pois favorece a melhoria da qualidade de vida das pessoas na terra e ainda dá uma dinheiro extra para quem precisa.
A folia das latinhas é bem maior do que pensamos e nada pode conter essa onda de animação que invade as pessoas especializadas neste ato. Vi uma senhora idosa que estava usando uma técnica bem engraçada para amassar as latinhas e com isso conter um pouco do seu cansaço. Ela juntava uma quantidade de latinhas e depois colocava no meio da rua, para que os carros passassem por cima, evitando que ela mesma pudesse amassar uma a uma e evitar o volume excessivo nos sacos que carregava, já que o peso não seria alterado, somente a forma de apresentação do produto para reciclagem.
A vida da gente é assim mesmo. Enquanto uns brincam, outros trabalham para possibilitar a diversão e isso pode estar materializado de várias formas, desde a venda das bebidas ou até no descarte das embalagens que acondicionam os líquidos tão preciosos que hidratam e embriagam as pessoas nas mais variadas festas que comemoramos. Acredito que no carnaval o lucro seja bem significativo para os catadores, pois a quantidade de dias e de opções de lugares para coleta é algo que atrai muitas pessoas comprometidas com este ofício que se tornou uma constante nos dias atuais e vem sendo praticado com mais ênfase e deixando cada vez mais o anonimato de antes.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O Galo é do Povo!

Assistir ao desfile do Galo da Madrugada é no mínimo uma tarefa exaustiva, seja pela quantidade de pessoas, freviocas e trios elétricos que circulam no trajeto que inunda as ruas do centro do Recife, no sábado de Zé Pereira ou até pelo calor que sempre acompanha o bloco. Não posso dizer que é uma festa para todos, pois quem não tiver pique e disposição, certamente ficará frustrado com tamanha grandiosidade ou reverência que as pessoas destinam a um bloco simples, mas que carrega consigo uma grande carga de alegria e tradição.
Este foi o segundo ano que acompanhei o desfile do Galo da Madrugada, do meu jeito, fotografando mais que dançando, mas curtindo tudo que vi e que passava diante dos meus olhos inquietos e que não se cansavam de registrar os melhores momentos, fantasias e figuras inusitadas que podíamos encontrar.
O mais belo é ver o Galo da Madrugada, monumental, na Ponte Duarte Coelho, atrapalhando todo o trânsito da cidade por mais de uma semana e ainda assim sendo amado pelos foliões e motoristas que diariamente passam por ali. A cada ano ele se renova a mostra um pouco do que os homenageados do carnaval possuem. Neste ano, o destaque foi a máquina fotográfica que carregava no pescoço e que fazia alusão ao Alcir Lacera, fotógrafo e grande personalidade pernambucana homenageada no carnaval deste ano, juntamente com o percussionista Naná Vasconcelos que se fez lembrar na roupa negra e colorida que o monumento usava.
O desfile começa cedinho e toma conta da cidade, fazendo com que todos saiam às ruas vestindo uma fantasia, seja ela qual for, e são muitas, de todos os tipos e criatividades, mostrando que o carnaval de Pernambuco é muito além do que falam por aí, já que reúne todos numa só festa e celebra a alegria com todo o seu significado e sentimento, pois não há nada mais inacreditável de se ver do que a disposição que as pessoas possuem para frevar e ferver ao som de músicas atuais e antigas, com artistas locais e nacionais. Neste ano tivemos Elba Ramalho, Gerlane Lops, Fafá de Belém, Lia Sophia, Gaby Amarantos, Gustavo Travassos, Luiza Possi, Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, Maestro Spok, Almir Rouche, André Rio e muitos outros artistas alegrando os foliões e cantando animados para uma multidão de mais de 2 milhões de pessoas, que se uniram num só propósito, que era a celebração do carnaval e de todas as sonoridades que ele possui. 
Ano que vem tem mais e a data já está marcada: 01 de Março 2014.

Celebration Tour no Brasil

Madonna veio ao Brasil agora em Maio, para encerramento da sua turnê, sendo motivo de muita agitação nacional, pois a artista é bem popular ...