quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Uma Batalha de Verdade

O painel que retrata a Batalha dos Guararapes, através das cerâmicas de Francisco Brennand, trava uma luta bem mais árdua e sem fim contra todos aqueles que não respeitam a arte e a sua conservação. No local onde está, no centro do Recife, ele não recebe o destaque devido e acharia melhor que fosse retirado dali e exposto em um local menos promíscuo, mais limpo e com menos ambulantes.
O que se nota são inscrições indevidas numa das obras mais importantes do artista e não há sequer uma grade de proteção que impeça a ação dos vândalos e mal educados que insistem em fazer do local um sanitário nas horas de aperto ou de safadeza mesmo.
Fico envergonhado todas as vezes que passo por lá e acho que da forma como está, o painel durará pouco e em breve mostrará uma batalha vencida onde as quebras e perdas serão irreparáveis para todos nós e principalmente para o patrimônio histórico da cidade do Recife. Já foram feitas várias reformas, mas terminam deixando a bagunça tomar conta do local, que não tem estrutura adequada para receber uma obra daquela proporção. Talvez tivesse quando foi construída, há muitos anos e quando o Recife ainda não era essa loucura de hoje e nem tinha tantas interferências urbanas que agridem qualquer obra que necessite de cuidados.
A rua está esburacada, retiraram a iluminação e as plantas que protegiam o painel foram arrancadas.
Ele continua lá. Agredido, mas belo.
Não vi pedras arrancadas, mas sim riscadas com tinta. O painel é um lutador contra o tempo e faz bonito ao nome que recebeu e ao poema de Ariano Suassuna que lá está.
Alerta geral, a Batalha dos Guararapes agoniza!!!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Além das Possibilidades

E eu senti o peso do mundo em minhas costas...
A sensação de estarmos fazendo mais do que o nosso corpo aguenta, acontece quando assumimos atividades e responsabilidades além das nossas possibilidades ou quando na ganância de conseguir um lucro extra em alguma atividade, pecamos pelo excesso e terminamos fazendo mais do que é realmente aceitável para nós.
Carregar um fardo muito pesado pode estar relacionado a atividades costumeiras ou quem sabe àquelas que sobrecarregam o nosso espírito e fazem da nossa vida um inferno cotidiano, onde a paz não tem vez, fazendo com que o nosso corpo doa de tanto estresse e tensão.
Se vamos realizar uma atividade, o ideal é que tenhamos plena consciência dos limites que podemos ter e para isso precisamos sempre usar o bom senso para não assumir o que não nos compete ou para nos meter em assuntos que não dependem da nossa intervenção. Se não iremos ajudar, deixe que as pessoas responsáveis assumam seus próprios riscos e executem o que é devido e precisa ser feito.
Prefiro me preocupar na hora certa, com as coisas devidas e não com o que não me interessa. Dessa forma sempre tenho meios mais agradáveis de vida e termino executando minhas ações diárias de forma mais cautelosa e serena sem me preocupar com as consequências que eu nem precisaria imaginar, quanto mais interagir.
Não vamos sobrecarregar a nossa mente com o que não presta e deixar que o peso seja leve e suportável. Afaste da sua vida a sensação de sufoco, de impotência e faça dos seus dias perfeitas traduções da felicidade e da alegria, onde cada ato praticado será especial e significativo para cada um de nós.
Respire aliviado e não hesite em dizer um "Não" quando sentir que o seu limite foi ultrapassado. A prática do que é necessário é importante para que saibamos o real sentido da vida e a melhor maneira de conviver com as pessoas que escolhemos para nos ajudar a superar todos os obstáculos que a vida nos apresenta.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Este é o Meu!!!!

Foi esta frase que me chamou a atenção para uma caveira que vi numa parede de uma fazenda em Tianguá, pois, da forma como estava exposta, era notável a sensação de que era uma maneira de expor um troféu por alguma conquista, que neste caso foi o da execução de um animal, que ainda não identifiquei ao certo o que era.
Caveirinha estranha, viu?
Este costume faz parte da vida de cada um de nós e basta percebermos a forma como indiretamente expomos nossos troféus e conquistas diferentemente da que vi, mas com o mesmo efeito. Expomos em fotografias impressas, no nosso site de relacionamento, no nosso celular, nas marcas que acumulamos no corpo e até nas roupas rasgadas que tivemos ao final de uma jornada.
Não importa, o que vale é que conseguimos chegar ao nosso objetivo e dessa forma concretizar o que nos deu o posto de vencedor e por isso dedicamos uma parte do nosso tempo para organizar este mérito nas paredes das nossas casas, no nosso notebook ou até virtualmente. O que importa é mostrar para todos que conseguimos.
São poucas as pessoas que não possuem esta característica, pois o fato de mostrar uma conquista, através de um troféu, de um mérito, é a concretização de que fomos capazes de ser algo mais do que já somos e de saber que as nossas possibilidades foram além das costumeiramente já praticadas. Passamos a ser pessoas que subimos degraus e que estamos vendo o mundo de uma forma diferenciada, pois certamente houve o aprendizado e o sofrimento em cada uma dessas realizações que escolhemos para expor.
O mérito maior que devemos ter é a certeza de que a vida é sempre um troféu e que cada conquista é merecedora de comemoração, pois se assim não fizermos, ficaremos cada vez mais imperfeitos e sem conhecer ao certo o nosso potencial e quais são os nossos limites e possibilidades.
Este é o meu!!!
Vamos falar alto para nos mesmos e, assim, solidificar as conquistas na nossa mente e saber que fomos capazes de sair do lugar comum e de conhecer o que não é óbvio.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Tarde de Domingo

Hoje chegamos de viagem e o cansaço é bem presente, já que viajamos 22 horas para chegar ao Recife.
Vou deixar uma música da Tulipa Ruiz que reflete um pouco do que sinto hoje. Ela fala das coisas que gostamos e que não se tornam efêmeras.
Efêmero jamais será o meu desejo de viajar e de ficar cansado vendo as lindezas deste Brasil tão encantador e cheio de belas paisagens.
Até a próxima...

Efêmera

Vou ficar mais um pouquinho,
Para ver se acontece alguma coisa
Nessa tarde de domingo.

Congela o tempo para eu ficar devagarinho
Com as coisas que eu gosto
E que eu sei que são efêmeras
E que passam perecíveis
Que acabam, se despedem,
Mas eu nunca me esqueço

Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa
nessa parte do caminho
Martela o tempo para eu ficar mais pianinho
Com as coisas que eu gosto
E que nunca são efêmeras

E que estão despetaladas, acabadas
Sempre pedem um tipo de recomeço

Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se acontece alguma coisa
Nessa tarde de domingo
Congele o tempo para eu ficar devagarinho
Com as coisas que eu gosto
E que eu sei que são efêmeras
E que passam perecíveis
Que acabam, se despedem,
Mas eu nunca me esqueço

Por isso vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa
Nessa parte do caminho
Martela o tempo para eu ficar mais pianinho
Com as coisas que eu gosto
E que nunca são efêmeras

E que estão despetaladas, acabadas
Sempre pedem um tipo de recomeço

Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se acontece alguma coisa
Nessa tarde de domingo
Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa
Nessa parte do caminho

sábado, 14 de janeiro de 2012

São Cristóvão

Durante a viagem do Ceará até Pernambuco, vimos muitas situações na estrada, mas a que mais me chamou a atenção foi esta imagem de São Cristóvão feita em madeira, originalmente num caule morto de uma árvore que ficava na entrada do restaurante que almoçamos em Fortaleza.
São Cristóvão é o Santo protetor dos motoristas e viajantes e achei interessante citar aqui no blog, pois a criatividade foi muito bem pensada e criou uma bela homenagem ao Santo.
Nossa viagem foi longa e passou por vários Estados, como Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Algumas cidades importantes e desenvolvidas foram vistas no nosso trajeto e posso citar: Mossoró, Sobral, Tianguá, Natal, Fortaleza e João Pessoa. 
Em cada lugar, existiam características bem pitorescas, além dos sotaques diferentes que encontramos em cada cidade que passamos. São nessas horas que percebemos como o Brasil é singular e ao mesmo tempo diferenciado, pois a união de culturas e a forma como cada povo demonstra os seus traços característicos é impressionante.
Quando falávamos com alguém, as pessoas logo percebiam que éramos pernambucanos, assim como estranhávamos, também, a maneira como se comportavam e usavam seus dialetos locais. Notei que no Ceará as pessoas não comem feijão e sim "Baião de Dois", que é uma mistura de arroz e feijão. Vi várias formas desta iguaria, mas a mais gostosa que provei foi em Jericoacoara, pois as demais estavam meladinhas demais deixavam o prato com sabor comprometido.
Notei, na nossa breve passagem pelo Piauí, que as pessoas possuem um sotaque bem mais gritante que o normal e puxam os "esses" e "erres" de uma forma bem mais notável que nos outros lugares. 
É bom perceber isso e saber que fazemos parte deste contexto tão diferenciado que é o Brasil. Felicidade é notar a simpatia do povo cearense e descobrir que a maioria das cidades do Estado possuem nomes indígenas e algumas vezes difíceis de pronunciar.
Gratificante é saber que existem tantas coisas lindas para visitarmos em cidades tão pequenas e que não despertariam nosso interesse sem que buscássemos descobrir o que nem sempre está exposto e visível aos olhos dos mais desatentos.
Vamos seguindo viagem...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Jeri, Simplesmente...

Chegamos à Vila de Jericoacoara após um trajeto em estradas de barro e dunas. O acesso não é fácil e deve ser feito somente por carros especializados e autorizados, já que o local é preservado e não pode ter um trânsito muito contínuo para não afetar as formações de areia que estão por lá.
A paisagem é típica de um deserto e em alguns momentos encontramos lagoas que são formadas nos períodos de chuva. Um visual que encanta, mas termina enjoando pois é muito repetitiva.
Vila de Jericoacoara é um primor aos olhos e a variedade de lojas e restaurantes impressiona, pois ficamos imaginando como um local tão simples e distante possui tudo aquilo.
Resposta simples: O Turismo.
São visitantes de todas as partes do mundo e a maioria vem da França e da Alemanha. São as línguas mais faladas nos locais. Apesar da variedade, não vi muito movimentos nas lojas e percebi que muitas fazem mais a linha conceitual do que comercial, pois a maioria dos produtos que são vendidos por ali possuem preços estratosféricos e acessíveis somente às pessoas muito abastadas e com dinheiro de sobra para gastar com besteiras e com objetos que seriam encontrados nos melhores shoppings das capitais.
Senti falta do pitoresco, daquilo que identifica um local.
Eram poucas as opções de lembranças para aqueles que desejassem gastar uma quantia razoável, mas não assustadora. Vi joalherias, galerias de arte, restaurantes de culinária internacional, franquias...
A maioria vazia e sem clientes.
O que lotava mesmo era os restaurantes com preços mais baratos e os mercadinhos que vendiam água e refrigerante por 1/3 do valor cobrado nos restaurantes tradicionais. A variação era tão grande que você poderia encontrar uma garrafa de água de 500 ml ao custo de R$ 1,25 e em outro lugar por R$ 4,00. Tudo dependia do glamour do local que estivesse sendo oferecido.
As atrações mais conhecidas do Parque Nacional de Jericoacoara são: A Duna do Pôr do Sol, A Árvore da Preguiça, As Dunas Fixas, os Mangues, Os Cavalos Marinhos e a Pedra Furada.
Esta última é a mais conhecida e visitada. Gostei do local, mas para chegar até lá precisamos de um pouco de disposição para subir uma ladeira e descer outra com o sol na cara e muita areia fina nos pés.
Se eu incluir o vento forte, vocês desistem de ir...
Mas há uma opção mais leve, que é vencer parte do caminho de charrete ao preço de R$ 10,00. Achei caro, pois o transporte só nos leva até a metade do caminho e ainda temos que desbravar um morro enorme até a Pedra Furada.
Gostei muito da Vila de Jericoacoara, pois pude aproveitar tudo que ela oferece. É um passeio de poucos dias, pois em dois ou três dias não aguentamos mais aquela paisagem árida, seca e aquela areia fina batendo na nossa cara, sendo impulsionada pelo vento forte que passa pelo local.
Recomendo descer as dunas tendo a sensação gostosa de estar afundando na areia. Muito legal e divertido.
Fica o registro do pôr do sol na minha mão, no alto da duna.
Até outro dia. Quem sabe um dia eu volto por lá...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Paraíso das Águas Claras

Jijoca de Jericoacoara foi o nosso ponto de apoio e descanso para que pudéssemos seguir até à Vila de Jericoacoara. Adorei o local, apesar de ser uma espécie de praia privada de águas doces, para minha surpresa. Acreditava que as águas fossem salgadas, pois a claridade era perfeita e a areia, bem branquinha.
É neste local que as pessoas descansam nas redes armadas na água e ficam ali contemplando a mansidão do local que parece com uma ilha do caribe.
Lá podemos fazer passeios de Jangada e conhecer a outra margem do rio, tendo ainda instruções dos jangadeiros para uma foto radical, onde ficamos pendurados numa corda enquanto a jangada nos deixa quase submersos.
Gostei da simpatia dos jangadeiros e da forma carinhosa como nos trataram, aliás, esta é uma característica de todos os cearenses que trabalham com o turismo, pois em nenhum momento encontramos pessoas mal educadas, exceto por uma criatura que tem um restaurante na cidade de Sobral.
Mas isso foi na viagem e ainda nem tínhamos chegado lá...
Em Jijoca de Jericoacoara o bom é a degustação de peixes e bebidas contemplando a tranquilidade do rio e dessa forma nos fazendo esquecer um pouco da agonia dos dias que vivemos comumente e que nos deixam inquietos e loucos por um momento de alívio e descontração.
O que não gostei foi que passamos somente meio dia neste paraíso. Queria ter aproveitado mais as águas claras e com isso refrescar o calor dos dias quentes e exaustivos das outras trilhas que fizemos. Foi realmente um dia de contemplação da natureza e com isso pudemos ter a certeza da grandeza divina na terra. Tudo lá é bem organizado e a limpeza é bem presente em todos os locais, fazendo disso um cartão de visitas muito bem apreciado pelos visitantes que diariamente vão ao local para ter um pouquinho de paz e descanso.
E vamos seguir para a Vila de Jericoacoara...

Celebration Tour no Brasil

Madonna veio ao Brasil agora em Maio, para encerramento da sua turnê, sendo motivo de muita agitação nacional, pois a artista é bem popular ...