segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Navegando com Ronaldo Fraga

A exposição "Rio São Francisco" em cartaz no Santander Cultural, no Recife Antigo, reativa a vivacidade que há tempos o espaço tinha perdido, pois as outras mostras eram tímidas demais e não esbanjavam tanta beleza quanto esta. Em todos os ambientes, podemos notar a versatilidade e originalidade do estilista Ronaldo Fraga que mostrou o rio com todas as suas influências, seja no artesanato, nas lendas, na culinária e, especialmente, pelo seu povo, já que as comunidades ribeirinhas foram o foco do trabalho que abriga 04 pisos inteiros.
Em alguns deles podemos ter a sensação de estar realmente navegando pelo Rio São Francisco, pois alguns elementos cênicos repassam ao visitante a sensação de poder pescar ou de poder descansar um pouco em um espaço de relaxamento. A cantora Maria Bethânia emprestou sua voz para uma instalação e os poemas que recita nas gravações fazem referência ao Velho Chico, que é tão querido e necessário para a vida do Brasil e, em especial, do Nordestino.
Não sei se foi proposital, mas a imagem de São Francisco, cercada de carrancas, foi criada com um olhar sombrio, raivoso, como se o Santo nos desse uma bronca por tratarmos tão mal o rio que leva o seu nome e traz tanta riqueza a todos que deles usufruem e tiram sua subsistência.
Alguns artesanatos de artistas locais estão à venda e todos retratam um pouco da crença e da religião, que é tão presente e não pode ser esquecida nas histórias que escutamos. Uma grande estante mostra os variados tipos de cachaça que são encontrados nos bares que ficam às suas margens e uma ala também faz referência às lendas que permeiam o rio e como elas já fazem parte do imaginário de todos nós.
As histórias de viagem, os relatos, as especiarias, as danças, as festas, enfim, tudo que o Rio São Francisco tem para nos oferecer e que por muitas vezes não prestamos muita atenção. Quem já teve a oportunidade de ver o Rio São Francisco e de navegar por ele sabe o que estou falando, pois a sua riqueza cultural é muito grande e agrada a todos nós, nordestinos, que somos os seus maiores admiradores.
Comer pilombeta* frita com um pouco de farinha em Penedo, no Estado de Alagoas, cidade que é banhada pelo rio, foi uma das lembranças que guardei e que até hoje me deixam com saudade. Andar de balsa ou nas pequenas embarcações e ir até o outro lado do rio, na cidade de Propriá, são lembranças que irei guardar para sempre e farão com que o Velho Chico seja sempre lembrado nas histórias da infância que tive e que muito contribuíram para a meu conhecimento.
A exposição me fez navegar por este rio de lembranças boas e me fez muito bem...
 
Pilombeta - Peixe típico do Rio São Francisco. Apelidado por este nome devido ao seu aspecto magro e comprido.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Estarrecer

É de estarrecer
É de estarrecer
Estar e ser, em inglês, é a mesma coisa
Assim como você, pode ser e não estar
Você pode estar e não ser
Estar e ser
Parece a mesma coisa, mas não é
De estarrecer
To be or not to be, here and now
Eis a grande questão
Ser passado, ser futuro, ser presente
Ser humano, estar sendo, ser amado, ser seguro, ser ausente
Ser cigano, estar vivendo
To be happy, to be free
Estar em você, ser em mim
To be or not to be
Para Shakespeare and me
É de estarrecer
Estar e ser em inglês é a mesma coisa
Estar e ser
Parece a mesma coisa, mas não é
De estarrecer?


Composição: Itamar Assumpção

sábado, 8 de dezembro de 2012

Boitatá, Papai Noel...

As lendas sempre encantaram as pessoas e o Brasil é cheio delas, sejam com nacionalidade verde amarela ou importadas de outros países. O Papai Noel é uma delas e sempre fico observando a total falta de nacionalidade deste personagem que tanto encanta as pessoas e gera filas gigantescas no shoppings da cidade, quando as crianças e pais disputam um minutinho de fama ao seu lado para uma foto que será colocada no álbum de família e lembrada por toda a vida.
O simbolismo é mesmo engraçado, pois o Natal tem outra finalidade, mas o comércio termina invertendo as coisas e nos aprisionando na imensa onda de consumo que faz com que o nosso dinheiro vá pelo ralo, como se fosse um passe de mágica. 
Seria o Papai Noel o Mandrake disfarçado?
Deveríamos ter outros símbolos mais pitorescos e com a cara do Brasil, pois com o calor que aqui faz, fica até complicado acreditar que na casa do Papai Noel tenha neve e que ele entre nas nossas casas pela chaminé, quando ela nem existe mais nos lugares onde deveria ter, imagine nos aglomerados de apartamentos que o Recife tem.
Aqui encontramos outras crenças, religiões e também outros símbolos, como a Perna Cabeluda, o Boitatá, o Saci, os Orixás e o Lobisomem. O Brasileiro criou as suas tradições a partir da mistura das raças e as heranças do negro e do índio são muito fortes na nossa vida e não há como negar isso e tentar tapar o sol com a peneira imaginando que o Papai Noel tem a cara do Natal.
Tem a cara do Natal lá nos Estados Unidos. Aqui a mundiça é outra...
O resto é comércio insano e sem muita finalidade, onde as festinhas de final de ano só nos fazem beber além da conta, dar presentes de amigo secreto para quem não suportamos ou até gastarmos todo o nosso salário com enfeites que não refletem a realidade das nossas paisagens e terminam virando entulho durante todo o ano.
Este ano me revoltei e não enfeitei a casa para o Natal. Além de me dar trabalho, gasta energia além da conta e o que mais preciso fazer é economizar em 2013, já que as despesas só aumentam e terminamos sem nem saber onde a renda foi parar. Vou ficar acreditando no espírito natalino verdadeiro, com a minha família, em casa, num jantar bem íntimo. Nada de excessos, pois o momento é de reflexão e de paz. Vou mandar o Boitatá queimar tudo com a sua cabeça de fogo, quem sabe assim acordamos mais para a realidade e deixamos de pensar em ursos polares que só existem no Polo Norte, que está bem distante de um país tropical como o nosso.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Acumular Lembranças

Viajar é bem mais do que um passatempo, é uma forma de acumular lembranças, sejam elas boas ou ruins, não importa, o que vale é o aprendizado e os momentos que foram vividos, pois nem todas as viagens são felizes e nem tudo dá certo como planejado, mas uma coisa é certa: saímos do lugar comum e conhecemos novos ares, novas pessoas e novos rumos foram dados, além das inúmeras percepções que tivemos de como cada um vive no mundo.
O cansaço que sentimos quando viajamos é outro, é mais saudável, mais confortador, pois sabemos que fizemos algo diferente, encantador e fugimos da realidade que todos os dias atormenta a nossa rotina e nos faz ficar abusados em alguns momentos da semana ou do mês. Não podemos ficar muito tempo sem esta prática e a nossa viagem pode até ser dentro da nossa cidade, visitando outros bairros ou pontos turísticos que ainda não conhecemos.
Conhecer outras realidades, outras formas de viver, outras crenças, outras culinárias, outras pobrezas, outras riquezas é tudo de bom e não há nada que explique a nossa alegria diante de algo assim, pois a cada momento ficamos querendo descobrir mais e mais de um mundo que até então só imaginávamos por fotos ou até na nossa mente, que muitas vezes fazia suas próprias escolhas e edificações.
Cada foto, cada amigo reencontrado, cada parente que nos recebe é algo sem fim e sem explicação, pois é uma forma de reativarmos dentro de nós o que estava apagado ou perdido no tempo e que só precisava de um pouco do nosso esforço para que se tornasse real e muito significativo e pudesse novamente contribuir para as nossas vidas e para aumentar o índice de felicidade que todos nós precisamos ter para ficar de bem com todos e com nós mesmos. 
Momentos para viajar existem muitos, mas nem sempre aproveitamos todos, seja por falta de dinheiro ou tempo, mas o que mais afeta as nossas faltas é o comprometimento, pois sempre nos achamos incapazes de realizar alguns sonhos e terminamos viajando somente na realidade do cotidiano e esquecendo que ela nos faz ficar esgotados e que esta recarga deve ser buscada em outros lugares mais neutros e que não estejam de acordo com a nossa realidade nua e crua e que nem sempre nos agrada pelos seus defeitos e agitações.
Vamos arejar a mente e viajar?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Observar, Sorver, Absorver...

Observar, Sorver e Absorver...
Muitas vezes só observamos e desprezamos as demais palavras, que são tão importantes para o processo de aprendizagem do homem, que a cada dia se torna mais ineficaz nas suas investidas e termina virando uma pessoa banal demais para as diversas exigências que o mundo nos oferece diariamente.
O que adianta observar e não aprender o que vimos, fazendo com que aquilo fique no esquecimento e não faça mais parte da nossa vida como deveria? 
Aprendemos quando realmente colocamos na nossa mente o significado das coisas e quando elas se tornam reais e efetivas nas nossas escolhas, pois muito do que desprezamos é quando não existe significado para nós e termina passando batido pelo nosso olhar cada dia mais inerte e pouco curioso.
Gosto muito de observar o mundo e dessa forma levar um pouco do que vejo para a vida, sorvendo cada pedaço do que encontro e absorvendo o que é melhor e que será válido para os meus desígnios, que precisam a cada dia de mais significado e de boas ações, pois se não for assim ficaremos soltos e sem chances de mudanças que realmente façam um efeito duradouro nas nossas vidas já tão calejadas e cheias de altos e baixos que não nos acrescentam nada e terminam nos deixando com uma cara de azedo sem fim.
Temos que ter outros gostos, outros sabores e somente com o aprendizado isso é possível. Conseguimos também quando sorvemos o gostinho do que é bom e necessário para nós, seja doce ou salgado, não importa, já que iremos escolher o sabor que mais nos agrada e nos faz bem. Necessário é dosar para que não fique com excessivas doses de sal ou açúcar, nos fazendo enjoar mais rapidamente do que era muito bom e que pelo nosso descuido ficou ruim e intragável. O sal e o doce da vida estão por toda a parte...
Muitas vezes observo pessoas que participam de ações, de treinamentos e saem mais vazios do que entraram e a única explicação para isso é a falta de percepção e absorção dos fatos, onde a observação vaga só serviu para marcar presença de um corpo e não da mente, que geralmente estava viajando por outros mundos menos importantes e desconectados da realidade que vivemos.
Se usarmos as três palavrinhas ao nosso favor, teremos grandes mudanças na vida, disso eu tenho certeza.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Pertinho do Céu

Fui no último sábado visitar o Morro da Conceição e percebi como é difícil a vida das pessoas que moram nas alturas, pois a locomoção se torna algo muito complicado e exige muita dedicação e paciência dos moradores que são obrigados a subir e descer muitas escadas para poder chegar nas suas casas. Em alguns lugares os carros menores ainda passam, mas os ônibus definitivamente não vão e isso atrapalha muito a vida de todos.
Fiquei imaginando uma pessoa doente e que precise ser socorrida rapidamente...
Morre antes de chegar ao hospital se não contar com o apoio rápido das pessoas, pois nestes lugares é muito fácil ter a vida compartilhada com os outros e esse é um dos fatores que une as pessoas, mesmo que elas não percebam isso, pois como moram em ruas estreitas ou em escadarias, é muito fácil a sua vida ficar exposta para os demais, onde fica muito difícil fazer um barulho que não seja identificado pelos vizinhos mais próximos.
Imagine sair atrasado de casa?
É o caos, pois até que se consiga pegar um ônibus, a caminhada é longa até a parada mais próxima. O que pude perceber também é que as pessoas terminam modificando as escadarias e criando ambientes mais organizados e criativos. Nesta que ilustra a foto, encontrei cerâmicas coladas, em outras, cores diversas e isso demonstra uma forma de tornar bonito o que geralmente seria um calvário.
A vida nos morros não é difícil quando alternativas são feitas e quando a prefeitura também pensa em soluções que possam facilitar a vida das pessoas. No Morro da Conceição, há um saneamento básico, escadarias e um pouco de organização, embora muitos mal educados ainda deixem as ruas cheias de lixo, o que afeta drasticamente a paisagem e pode entupir as canaletas que levam as águas servidas dos locais mais altos para os mais baixos.
Em outros morros a terra é bruta e a situação é bem pior.
Os varais são outra atração à parte e podemos notar muitos deles no caminho que se veste de detalhes interessantes para serem vistos, como as antenas parabólicas e caixas d'água de diversos tamanhos e cores. 
"Pois quem vive lá no morro, mora pertinho do céu"
Um céu cheio de diferenças, onde encontramos de tudo, inclusive a felicidade e a satisfação por ter uma paisagem privilegiada da cidade, algo que nem os bairros mais ricos possuem. Este padrão de beleza nenhuma construtora tem, sendo, portanto, exclusivo dos moradores dos vários morros que o Recife tem.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Liberdade para Voar

Qual a sensação mais fantástica que o homem pode sentir? 
Milhares de opções poderão ser citadas, mas prefiro pensar somente em uma, que é a Liberdade. A partir dela, podemos ter várias formas de atuação e conseguiremos pensar de forma mais abrangente em muitas situações que podem ser muito benéficas na nossa vida e que só precisam de um empurrão para se tornarem mais atraentes e cheias de momentos únicos.
A liberdade jamais poderá ser confundida com anarquia, mas pode ser confundida com um sorriso no rosto, com um frio no coração ou até com uma voz mais firme em alguns momentos em que precisamos dar mais ênfase aos nossos atos para que o gostinho da vida se torne mais espetacular e nos faça pular de alegria. 
Basta observar a liberdade dos pássaros para percebermos que o ato de voar reflete muito este sentimento e ainda mais quando notamos isso dentro de nós, quando o nosso coração cria asas e consegue realizar feitos grandiosos para nós e também para os que estão ao nosso redor, pois se estamos felizes e com a liberdade em alta, fica bem mais fácil conseguirmos fazer os outros felizes também e dessa forma criar laços mais fortes e cheios de luz.
Quando o nosso espírito corre para o infinito e busca nele uma melhor forma de sucesso, é quando descobrimos a liberdade que está guardada dentro de nós e que pode ser despertada a qualquer momento, sem que uma hora determinada seja marcada para isso e sem que tenhamos motivos para expor isso para o mundo.
Saber onde ir e vir, é sinal de confiança em nós mesmos e está bem relacionada à liberdade que conquistamos com o passar do tempo e ressalto que estas conquistas se tornarão cada vez mais fortes se desde cedo estivermos acostumados a ter escolhas e a descobrir as nossas formas de realizar ações, sem que uma autorização seja pedida.
Autorização é a nossa consciência quem dá. Se estivermos realizando o que é bom e louvável, não precisamos ficar com o pé atrás em tudo e um pouco de liberdade sempre vai bem para que tenhamos cada vez mais a certeza de que a nossa vida pode ser melhorada com as nossas ações e também com o nosso compromisso diário com a libertação de tudo aquilo que nos aflige e não presta.

Celebration Tour no Brasil

Madonna veio ao Brasil agora em Maio, para encerramento da sua turnê, sendo motivo de muita agitação nacional, pois a artista é bem popular ...